Vídeo: Romeu, Julieta e um penetra de quatro patas. O dia em que um gato laranja sabotou o maior drama da literatura

​Enquanto os protagonistas ensaiavam o choro, um felino turco decidiu que a tragédia de Shakespeare precisava de um pouco mais de deboche e ronronos.

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​William Shakespeare passou anos lapidando o final perfeito para a sua tragédia mais famosa. Duas famílias rivais, veneno, adagas, corpos estirados no chão e um público em prantos. No entanto, o bardo inglês esqueceu de combinar o roteiro com a população felina de Izmir, na Turquia. Durante uma apresentação da Companhia Imperial de Balé Russo, o clímax dramático de “Romeu e Julieta” foi solenemente sequestrado por um gato laranja que decidiu que o palco era o lugar ideal para sua soneca da tarde.

Veja o vídeo:

O bailarino brasileiro Pedro Seara, responsável por dar vida a Romeu, entregava tudo na clássica cena da morte de seu personagem. Deitado no tablado, simulando os últimos suspiros do jovem apaixonado, ele certamente não esperava que o além-túmulo incluísse uma sessão de lambidas e patadas afetuosas. O invasor, exibindo a clássica audácia que apenas os felinos possuem, caminhou calmamente até o defunto, deitou-se ao seu lado e começou a brincar com os cabelos do artista. Como se a humilhação profissional de ser ofuscado por um animal não bastasse, Romeu ainda teve que suportar algumas mordidas leves enquanto tentava manter a rigidez cadavérica.

​A intérprete de Julieta, que deveria entrar em cena para encontrar seu amado sem vida e se desesperar, deparou-se com uma comédia romântica interespécies. O público, que já preparava os lenços para chorar a desgraça dos Capuleto e dos Montequio, acabou caindo na gargalhada com o novo arranjo coreográfico. A plateia assistiu, entre o espanto e o riso, a um verdadeiro teste de profissionalismo, onde os bailarinos precisaram ignorar os instintos básicos de sobrevivência artística para não expulsar o intruso a pontapés.

​O episódio rapidamente furou a bolha dos palcos e tomou conta dos jornais e das redes sociais ao redor do mundo. Críticos amadores e internautas sugeriram que o bicho ganhasse um contrato definitivo com a companhia russa, argumentando que a interpretação dele trouxe uma leveza necessária ao ambiente carregado do teatro clássico. Afinal, a espontaneidade de um gato que ignora solenemente a quarta parede é algo que nenhum diretor, por mais genial que seja, conseguiria colocar em um manual de ensaios.

​No balanço final da noite, os aplausos mais calorosos não foram para a técnica impecável dos passos russos ou para a carga emotiva dos protagonistas. A ovação da noite foi para o minimalismo performático de um ser de quatro patas que, movido pela mais pura curiosidade e total desprezo pelas convenções sociais humanas, resolveu reescrever um clássico universal. Shakespeare que nos desculpe, mas a tragédia de Verona ficou muito melhor com um final feliz e um rabo peludo abanando no palco.

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