A comunidade São Rafael, no bairro do Castelo Branco, em João Pessoa, tornou-se o cenário de um modelo inédito de desenvolvimento urbano e sustentabilidade na Paraíba. A inauguração de uma usina solar comunitária local transforma o teto de captação de energia limpa em uma ferramenta de emancipação financeira para moradores e pequenos comerciantes de baixa renda.

O ecossistema do projeto funciona por meio de uma contrapartida inteligente. Oito famílias inicialmente selecionadas recebem parcelas da energia gerada pelo complexo de placas solares, que tem capacidade para produzir até 2 mil kWh por mês. Esse volume deve aliviar as despesas domésticas com uma redução de até 75% nas faturas de eletricidade tradicionais. Em troca do abatimento, os beneficiários repassam uma quantia proporcional a um banco comunitário da própria área e recebem de volta o crédito em formato de cashback na Orquídea, a moeda social que circula exclusivamente no comércio da região.
Essa circulação fechada de capital garante que a riqueza gerada pelo recurso natural permaneça dentro do bairro, aquecendo mercados, padarias e pequenos negócios de bairro. O montante centralizado pelo banco comunitário também alimenta um fundo de reserva permanente, estruturado para financiar a expansão técnica do sistema e incluir novas famílias no programa no médio prazo.
O desenho metodológico é o resultado de uma cooperação acadêmica liderada pelo projeto de extensão “Sou Sustentável”, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), sob coordenação do professor José Felix Neto. O braço de pesquisa científica contou com o suporte institucional e técnico da Fundação Getulio Vargas (FGV), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade de Lund, na Suécia. Durante o evento de entrega, a pró-reitora de Extensão da UFPB, Bernardina Freire, enfatizou que o papel da instituição vai além do ambiente acadêmico, consolidando uma função prática na transformação social e na melhoria das condições de vida da população.
Para garantir a autonomia da comunidade a longo prazo, o planejamento inclui oficinas de capacitação técnica em eletricidade básica e diretrizes de autogestão. O objetivo final é transferir progressivamente a operação, o monitoramento e a manutenção da usina fotovoltaica para os próprios moradores, consolidando a independência gerencial e a sustentabilidade do projeto.





