Atraso, ironia e o fantasma de uma guerra: o compasso de Trump no G7

​Entre o improviso político e os termos do armistício com o Irã, Washington tenta alinhar aliados europeus e asiáticos em cúpula na França

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​A mesa estava posta em Évian-les-Bains, mas a cadeira principal permanecia vazia. Coube ao secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, ocupar temporariamente o assento reservado ao chefe de Estado norte-americano no início dos trabalhos da manhã desta quarta-feira. Quando o presidente francês, Emmanuel Macron, abriu formalmente a sessão multilateral, os líderes das maiores economias ocidentais depararam-se com uma placa com o nome de Donald Trump, cujo paradeiro, até então, se resumia a um atraso de aproximadamente sessenta minutos.

A quebra de protocolo transformou-se em cena teatral instantes depois. Ao ingressar no recinto, o mandatário norte-americano interrompeu a solenidade com uma parada estratégica na cabeceira da mesa. “Eu sou o chefe”, disparou, arrancando risadas da diplomacia presente, antes de acomodar-se ao lado do anfitrião francês. O tom descontraído, contudo, contrastava com o peso das negociações de bastidores que dominam o terceiro dia do encontro de cúpula nos Alpes Franceses.

O pano de fundo da reunião internacional envolve a circulação antecipada das cláusulas do cessar-fogo estruturado entre Washington e Teerã. O documento oficial tem apresentação formal agendada para a próxima sexta-feira, em território suíço, mas os contornos do entendimento mútuo já circulam entre as delegações. Para a Casa Branca, o fórum na França surge como a vitrine necessária para tentar obter o aval de parceiros históricos de peso, incluindo Reino Unido, Alemanha, Itália, Japão e o próprio Canadá, que compartilham do monitoramento às ambições atômicas iranianas, embora guardem severas restrições históricas à intervenção militar conduzida pelos Estados Unidos na região.

O desafio diplomático ganha contornos complexos diante da percepção estrangeira de que o governo iraniano obteve vantagens políticas significativas ao sustentar suas posições frente à ofensiva e ao assegurar a vigilância ostensiva sobre a navegação comercial no Estreito de Ormuz. As potências aliadas tentam agora calibrar o apoio ao pacto sem referendar de forma integral as ações unilaterais que antecederam o processo de pacificação.

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