O presidente Luiz Inácio Lula da Silva agiu rápido para conter os danos políticos provocados pelas investigações da Polícia Federal que atingiram o cerne de sua sustentação no Congresso. Nesta quinta-feira (25), o chefe do Executivo anunciou a senadora Teresa Leitão (PT-PE) como a nova líder do governo no Senado, substituindo Jaques Wagner (PT-BA). A mudança ocorre no momento em que a gestão federal tenta blindar a imagem de Lula e focar nas pautas prioritárias de forte apelo popular.
A saída de Jaques Wagner vinha sendo costurada nos bastidores desde a última semana, quando o parlamentar tornou-se alvo de mandados de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero. A PF apura suspeitas de que o senador baiano tenha recebido vantagens financeiras indevidas em troca de favorecimento ao Banco Master em votações legislativas. Na quarta-feira (24), após uma reunião no Palácio da Alvorada, Wagner entregou formalmente o cargo, alegando que a saída se deu em comum acordo para que ele possa se concentrar em provar sua inocência e não atrapalhar os planos eleitorais do governo.
Com a indicação de Teresa Leitão, o Palácio do Planalto aposta em um perfil de diálogo moderado e estabilidade. A pernambucana cumpre seu primeiro mandato na Casa, após duas décadas de experiência como deputada estadual, e conta com bom trânsito tanto na base aliada quanto nas bancadas de oposição. Outro ponto técnico que pesou a favor de sua escolha é o fato de estar no meio do mandato de oito anos, o que a deixa livre das urnas em 2026 e com total disponibilidade de tempo para se dedicar às complexas negociações do dia a dia no parlamento.
O desafio da nova líder já está desenhado. De acordo com o anúncio feito por Lula, Teresa assume com a responsabilidade imediata de coordenar e destravar a votação de duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) consideradas fundamentais para a agenda do governo: a reforma que prevê o fim da jornada de trabalho na escala 6×1 e o novo texto da PEC da Segurança Pública.





