O Estreito de Ormuz no limite: o vai e vem do petróleo que não alivia o bolso do brasileiro

​Tensões entre EUA e Irã inflam as cotações internacionais e ativam travas políticas que impedem a queda dos combustíveis nos postos do país

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​O mercado global de energia opera sob o ritmo da volatilidade no Oriente Médio. Em julho, o preço do barril de petróleo Brent registrou um salto de 15,5%, cotado a US$ 84,23. O movimento reflete o agravamento das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irã, que resultou na retomada do bloqueio naval norte-americano no Estreito de Ormuz. Por este canal estratégico trafega aproximadamente um quinto de todo o comércio mundial da commodity, transformando qualquer fricção militar na região em um gatilho imediato de valorização financeira.

Apesar da escalada recente, os patamares atuais ainda se posicionam abaixo do teto observado em abril, quando o indicador internacional alcançou US$ 118,03. O alívio temporário ocorreu após um recuo acentuado que aproximou a cotação dos US$ 70. No entanto, essa retração não se traduziu em alívio para os motoristas brasileiros. Levantamentos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que, desde o início das hostilidades em fevereiro, o diesel acumula alta de 10% e a gasolina, de 5% nas bombas.

A desconexão entre o recuo temporário no exterior e a rigidez dos preços internos decorre de uma estratégia de contenção desenhada entre o governo federal e a Petrobras. Para amortecer os impactos inflacionários da crise energética, a gestão pública injetou mais de R$ 30 bilhões em subsídios, enquanto a estatal evitou o repasse imediato dos picos internacionais de preços ao consumidor final.

Como o repasse da alta foi suavizado por amortecedores fiscais, a margem para reduções expressivas na cadeia de distribuição tornou-se limitada. Um exemplo prático dessa engrenagem foi o corte recente de R$ 0,35 no diesel nas refinarias pela Petrobras, efetuado logo após o término do aporte público. O movimento serviu apenas para neutralizar a retirada do auxílio estatal, mantendo inalterados os valores finais repassados às distribuidoras. Paralelamente, diante do novo ciclo de bombardeios no Golfo Pérsico, o governo optou por postergar o fim dos subsídios destinados à gasolina.

No cenário externo, o panorama segue pressionado pelo descompasso entre oferta e demanda. O tráfego restrito em Ormuz coincide com o período de verão no Hemisfério Norte, época em que o consumo de energia atinge níveis elevados nos Estados Unidos e na Europa. A conjuntura acentua o esvaziamento dos estoques nos países da OCDE. Nem mesmo os esforços diplomáticos liderados por Catar e Paquistão conseguiram sustentar o cessar-fogo provisório assinado em junho; as trocas de acusações mútuas e os ataques com mísseis e drones invalidaram os acordos preliminares em menos de duas semanas.

​No plano doméstico, medidas estruturais também apresentam efeitos tímidos diante do tamanho da crise internacional. A determinação que elevou a mistura obrigatória de etanol na gasolina de 30% para 32% possui pouco poder de transformação isolada nas bombas. O comportamento dos preços no Brasil continuará atrelado ao balanço de forças no mercado externo e aos custos de importação dos derivados nos portos nacionais, mantendo o consumidor local refém dos desdobramentos em Washington e Teerã.

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