João Campos abre vantagem e polariza disputa pelo Governo de Pernambuco com Raquel Lyra

​Levantamento Datafolha aponta ex-prefeito do Recife com 50% das intenções de voto, enquanto a atual governadora busca reduzir a diferença de 12 pontos em cenário de influência presidencial dividida

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​A sucessão estadual em Pernambuco começa a ganhar contornos de uma disputa concentrada em dois nomes de peso. Segundo o mais recente levantamento do Instituto Datafolha, o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), desponta na liderança com metade das intenções de voto no cenário estimulado. A atual ocupante do Palácio do Campo das Princesas, Raquel Lyra (PSD), aparece em segundo lugar, sustentando 38% da preferência do eleitorado.

​O distanciamento entre os dois principais nomes reflete uma consolidação de forças que deixa pouco espaço para nomes alternativos. Eduardo Moura (Novo) e Ivan Moraes (PSOL) aparecem com índices residuais de 3% e 2%, respectivamente, enquanto brancos e nulos somam 6%. Os números mostram uma estabilidade em relação ao levantamento de fevereiro, sugerindo que as bases de apoio de Campos e Lyra estão sedimentadas, embora o ex-prefeito tenha oscilado positivamente dentro da margem de erro, que é de três pontos percentuais.

​A construção das alianças políticas reforça a polarização. João Campos, que renunciou ao cargo executivo municipal no início de abril, conta com a estrutura do PSB e a parceria de figuras como o senador Humberto Costa (PT) e a ex-deputada Marília Arraes (PDT). Do outro lado, Raquel Lyra formalizou o respaldo do União Brasil, em um movimento articulado em Brasília com Gilberto Kassab e Miguel Coelho. Essa costura de apoios visa fortalecer a governadora para um eventual segundo turno, onde o Datafolha projeta um placar de 52% contra 42% a favor do pessebista.

​No horizonte político, a figura do presidente Lula surge como um fiel da balança disputado por ambos os lados. Raquel Lyra sinalizou que pode apoiar a reeleição presidencial caso o Planalto adote uma postura de neutralidade ou permita palanques duplos no estado. Por outro lado, o PSB pressiona para que a exclusividade do apoio petista seja destinada a Campos, lembrando a composição da chapa federal com o vice-presidente Geraldo Alckmin.

​Enquanto a oposição tenta se viabilizar com a pré-candidatura de Anderson Ferreira (PL) ao Senado, anunciada por Flávio Bolsonaro, o foco principal permanece no embate direto entre a gestão atual e o herdeiro político de Eduardo Campos. O cenário atual indica que a eleição pernambucana será decidida na capacidade de cada candidato em converter o prestígio nacional em votos locais, em um estado que historicamente valoriza a proximidade com o Governo Federal.

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