O roteiro parecia desenhado para o drama logo nos primeiros minutos no Texas. Quando o árbitro confirmou o pênalti sofrido por Lautaro Martínez com o auxílio do VAR, o Cotton Bowl prendeu a respiração para testemunhar a consagração de Lionel Messi. O chute para fora, que isolou o craque também em uma estatística incômoda, a de atleta com mais penalidades perdidas com a bola rolando no torneio, deu um tom de suspense que o futebol costuma reservar para os maiores personagens.
A redenção, no entanto, não tardou. Ainda na etapa inicial, após Schlager frustrar o grito de gol dos milhares de torcedores sul-americanos que lotavam o estádio, a engrenagem do ataque argentino funcionou em velocidade máxima. Facundo Medina cruzou, Thiago Almada teve a inteligência de deixar a bola passar e Messi, com a frieza habitual, finalizou rasteiro. O toque sutil no canto esquerdo não apenas abriu o placar, mas colocou o atacante no topo solitário da história dos Mundiais, atingindo 17 gols e deixando o alemão Miroslav Klose para trás.
No segundo tempo, a Áustria tentou mudar a postura. Adiantando suas linhas e valorizando a posse de bola, a equipe europeia buscou o empate na bola parada. Marcel Sabitzer exigiu boa intervenção de Emiliano Martínez em cobrança de falta, e Wimmer assustou nos acréscimos com um desvio que raspou a trave. A imposição física dos austríacos, contudo, esbarrou na falta de profundidade e na segurança defensiva armada por Lionel Scaloni.
Quando o cansaço parecia ditar o ritmo final, Argentina usou a eficiência para liquidar a fatura. Aos 49 minutos, em transição rápida comandada pelo próprio Messi, Julián Álvarez parou no goleiro e Paredes insistiu no rebote. A bola voltou para os pés do capitão que, mesmo travado na primeira tentativa, insistiu para assinar o segundo dele no jogo e o 18º em sua trajetória na competição.
Com o resultado, os atuais campeões mundiais somam seis pontos no Grupo J e carimbam o passaporte para o mata-mata com uma rodada de antecedência. A liderança matemática pode vir sem entrar em campo, caso a Jordânia não vença a Argélia no complemento da rodada. Se mantiver a ponta, a Argentina projeta um clássico sul-americano contra o Uruguai nas oitavas de final. Para a Áustria, resta a obrigação de vencer os argelinos na última jornada para avançar na vice-liderança e seguir viva no torneio.





