Do palco ao fim da linha: Execução de casal em Porto Seguro acende alerta sobre a violência no Extremo Sul

Encontrados com marcas de tiros em estrada vicinal, produtores de eventos e artistas locais foram vítimas de um crime com indícios de cárcere privado; polícia investiga elo com disputas de facções.

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​O silêncio que se instalou neste sábado (18) em uma estrada de terra em Porto Seguro interrompeu abruptamente a trajetória de dois jovens que movimentavam a cena cultural do extremo sul baiano. Ulissias Marcelli Couto Flores Cardial, de 30 anos, e Vinícius Souza de Carvalho, de 28, foram encontrados mortos em um cenário que aponta para a brutalidade das disputas territoriais que avançam sobre o turismo da região.

Moradores do bairro Tabapiri, os dois eram conhecidos pela atuação nos bastidores e palcos de festas locais. Ulissias, em especial, usava suas redes sociais, onde somava quase 20 mil seguidores, para mostrar a rotina impressionante de fire performer, arte que exige precisão e coragem no manejo do fogo. A energia que ela exibia nas telas, contudo, foi apagada de forma violenta. O casal deixa familiares devastados, incluindo o filho da influenciadora, um adolescente de 13 anos.

 

A notícia chocou a comunidade artística. Ulissias havia sido anunciada há poucos dias como uma das apresentadoras do Festival Rock Gaya, marcado para o final de julho. Em um comunicado carregado de luto, a organização do evento expressou o baque da perda, contrastando a euforia do anúncio recente com o peso da despedida precoce.

Por trás do crime, a Polícia Civil reconstrói os últimos momentos do casal sob uma linha de investigação sombria. Os exames preliminares nos corpos revelaram perfurações por armas de fogo e sinais de violência que sugerem que ambos passaram por um período de cárcere privado antes da execução.

​A principal hipótese dos investigadores se concentra no submundo do crime organizado local. A polícia apura se as mortes foram motivadas por cobranças de dívidas de drogas ou se o casal teria se envolvido na comercialização de entorpecentes sem o aval da facção criminosa que dita as regras na periferia da cidade histórica. Enquanto a autoria do duplo homicídio segue desconhecida, a delegacia territorial tenta juntar as peças de um quebra-cabeça que expõe o contraste entre o brilho dos holofotes e a dura realidade da segurança pública na Bahia.

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