No município de Tamandaré, a cerca de 100 quilômetros do Recife, a foz do rio Formoso desenha um dos trechos mais estratégicos do litoral pernambucano. A Praia dos Carneiros, delimitada por uma barreira natural de recifes e emoldurada por coqueirais, deixou de ser um antigo refúgio pesqueiro para se consolidar como um dos motores econômicos do turismo no Nordeste.

A história da localidade remonta ao século XVIII, quando a área fazia parte de grandes propriedades rurais voltadas para o cultivo do coco e para a pesca artesanal. O nome “Carneiros” deriva de um dos antigos proprietários da fazenda que ocupava a orla, José Henrique Carneiro. Por décadas, o acesso restrito preservou a geografia original da praia. A construção da Capela de São Benedito, erguida no século XVIII à beira-mar, tornou-se o ponto focal dessa paisagem. Com sua fachada branca e verde de frente para a maré, a igrejinha atravessou gerações servindo à comunidade local e às celebrações da família proprietária das terras.

Antes da chegada dos grandes complexos turísticos e dos passeios de catamarã, Carneiros era sustentada pelo ritmo das marés, tendo pescadores, marisqueiras e jangadeiros como o núcleo social da região. Conforme a infraestrutura viária do litoral sul de Pernambuco se expandiu, impulsionada pela proximidade com Porto de Galinhas, a rotina dos moradores passou por uma reestruturação. Antigos pescadores migraram para a condução de passeios náuticos pelos bancos de areia e manguezais do rio Formoso, enquanto a gastronomia regional e o artesanato ganharam espaço formal em estabelecimentos à beira-mar, impulsionando a geração de renda local. Ao mesmo tempo, esse adensamento do fluxo turístico trouxe a necessidade de regras rigorosas para o uso do solo e a proteção da Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais.

Nesse cenário, a Praia dos Carneiros desempenha um papel central na diversificação do turismo pernambucano. Enquanto centros urbanos ou praias de grande escala concentram o turismo de massa, Carneiros se posicionou como um destino de integração entre turismo de experiência, eventos de destino (como casamentos) e preservação ambiental. A combinação de águas mornas, piscinas naturais formadas pela maré baixa e a preservação do manguezal faz do litoral sul de Pernambuco um dos corredores turísticos de maior valor agregado do país, conectando a história colonial brasileira às demandas contemporâneas de sustentabilidade e desenvolvimento regional.






