A farsa do “palestrante”: como o medo de exposição virou homicídio em hotel de João Pessoa

​Jovem de 17 anos com histórico de infrações no RN usou identidade falsa, armou emboscada e estrangulou motorista após encontro marcado pela internet.

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​O homem que se apresentava publicamente como teólogo e palestrante motivacional escondia uma rotina dupla e um histórico com 17 passagens pela polícia. Na última sexta-feira, essa teia de disfarces culminou no assassinato de Washington Rodrigo, de 33 anos, em um quarto de hotel no bairro de Manaíra, orla de João Pessoa.

O crime foi articulado a partir de um anúncio em um site de acompanhantes. O suspeito, um adolescente de 17 anos, utilizou documentos falsos para se hospedar e contratou o serviço de Washington, que trabalhava como motorista autônomo e havia dito à família que faria uma viagem a trabalho para o Rio Grande do Norte.

No quarto, a pretexto de simular um fetiche, o jovem convenceu a vítima a se algemar. Em seguida, sacou uma réplica de pistola e exigiu a senha do celular do motorista. O pretexto para a abordagem violenta seria conferir se a vítima havia registrado fotos do encontro, algo que o adolescente alegou que destruiria sua reputação de homem heterossexual e líder religioso.

Após obter o aparelho, o jovem sufocou Washington usando o cabo do secador de cabelo do próprio estabelecimento, além de colocar um pano na boca da vítima. Em depoimento à Polícia Civil da Paraíba, prestado após ser localizado em Caicó (RN), ele declarou que pretendia apenas desacordar o motorista para fugir.

A tentativa de fuga, no entanto, expôs a frieza do investigado. Ele tentou ligar o carro da vítima para deixar o local, mas, sem sucesso, saiu a pé do hotel. Nas horas seguintes, manteve a rotina nas redes sociais, publicando conteúdos como se nada tivesse acontecido.

A cena do crime revelou uma preparação minuciosa. Os investigadores apreenderam a arma de ar comprimido, as algemas e uma luva cirúrgica levada pelo suspeito. A polícia também confirmou que não foram encontrados entorpecentes no quarto.

​Apesar da imagem de palestrante custeado por eventos e financiado pela família, o adolescente carrega uma extensa ficha de atos infracionais no estado vizinho, com registros por extorsão, furto qualificado, perseguição, ameaça e violência doméstica, tendo inclusive cumprido medida socioeducativa em unidade de internação. O caso agora segue sob a responsabilidade da Delegacia da Infância e da Juventude da capital paraibana.

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