O copo além do álcool

​Pesquisa de antropólogo da UFPB desvenda os rituais, o mercado e o valor social por trás da cachaça brasileira

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​O hábito de beber cachaça, tantas vezes reduzido a um mero gesto de boemia ou a um estereótipo folclórico, acaba de ganhar um raio-X profundo. Na noite desta terça-feira, 28 de julho, a Universidade Federal da Paraíba sedia o lançamento de “Antropologia da Cachaça: produção, circulação e consumo do destilado brasileiro”. A obra, assinada pelo antropólogo e professor Ninno Amorim, transforma uma extensa investigação acadêmica em um convite aberto para compreender como o destilado mais popular do país molda hábitos, comércios e identidades.

O livro nasce da tese de doutorado defendida por Amorim na Universidade Federal de Pernambuco. Foram mais de cinco anos em campo, acompanhando de perto os passos da bebida desde a moagem da cana nos alambiques até o tilintar dos copos nos balcões e mesas espalhadas pelo país. A proposta agora é traduzir o rigor da pesquisa universitária para uma prosa direta, capaz de dialogar com leitores de fora dos muros acadêmicos sem perder a densidade do olhar social.

Longe de ser apenas um inventário sobre métodos de destilação ou marcas famosas, o trabalho observa a cachaça como um fio condutor das relações humanas. O autor analisa as redes invisíveis que conectam o pequeno produtor rural ao consumidor urbano, mostrando como o líquido carrega memórias, diferenciações de classe e rituais de sociabilidade. Ao olhar para o trajeto da bebida, o estudo expõe como a tradição popular resiste e se adapta às exigências do mercado contemporâneo.

O encontro para apresentação do trabalho ocorre a partir das 20h13, no auditório 411 do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da UFPB. O evento marca a chegada às livrarias de um diagnóstico apurado sobre uma das marcas mais genuínas da cultura brasileira, oferecendo ao público a chance de enxergar o que há no fundo do copo para além do álcool.

Com assessoria

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