O sabor do Cariri ganha o país: Paraíba arrebata 23 medalhas em premiação nacional de queijos

​Com ouro na manteiga de garrafa e inovações com leite de cabra, produtores locais desbancam gigantes e colocam a agroindústria do estado no topo da gastronomia brasileira

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​A produção artesanal de laticínios da Paraíba deu um salto para além das fronteiras nordestinas e carimbou sua excelência no maior palco do setor no país. Durante a 9ª edição do Prêmio Queijo Brasil, disputada em Blumenau (SC), a delegação paraibana deu uma aula de aproveitamento: enviou 33 produtos para a avaliação dos jurados e voltou para casa com 23 medalhas na bagagem, sendo cinco delas de ouro. A façanha ganha ainda mais peso diante da dimensão da disputa, que reuniu cerca de 2.500 amostras vindas de 17 estados.

O desempenho reflete um movimento silencioso, mas profundo, de transformação no campo paraibano. O segredo da virada está no alinhamento entre a sabedoria ancestral dos produtores, a pesquisa acadêmica de ponta e o suporte técnico a pequenas agroindústrias. A parceria que envolveu a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o Programa de Estudos e Ações para o Semiárido (Peasa) e o Sebrae/PB conseguiu lapidar processos sem perder a identidade cultural do semiárido.

O resultado apareceu no pódio através da diversidade. A Ipla brilhou com a tradicional manteiga de garrafa, que levou o ouro e entrou para a Seleção Queijista como destaque do estado, além de faturar outras cinco pratas e três bronzes. No segmento dos derivados de leite de cabra, a Agubel cravou ouro com sua receita temperada com alecrim  também eleita uma das melhores da Paraíba, prata no queijo do reino caprino e bronze na versão com canela.

A inventividade técnica deu o tom das demais conquistas. O Capril Nunes faturou dois ouros com os produtos batizados de Dona Dailta e Seu Tenezo, além de um bronze com o tipo Reino. O portfólio premiado ainda contou com a inovadora manteiga de bode, apresentada por José Lopes Monteiro Filho e laureada com a medalha máxima, a prata do queijo de manteiga Santa Isabel, de Demerrisson Bezerra de Medeiros, e o bronze da agroindústria Nossa Senhora Aparecida com seu queijo de coalho condimentado.

O impacto da premiação ultrapassa a simples coleção de prêmios nas prateleiras. Ao colocar no mesmo patamar a tradição da manteiga da terra e criações autorais com leite de cabra, os pequenos produtores locais provam que o semiárido é terra fértil para a alta gastronomia. A chancela conquistada em Santa Catarina abre portas no mercado consumidor de alto valor agregado e desenha um novo patamar de desenvolvimento econômico para o interior paraibano.

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