O que deveria ser um encontro casual, agendado pela tela do celular, transformou-se em um pesadelo financeiro e psicológico para um homem em Fortaleza. O caso, que culminou na prisão em flagrante de duas mulheres, mãe e filha, de 54 e 35 anos, joga luz sobre uma modalidade criminosa que cresce à sombra dos aplicativos de relacionamento: a extorsão sob a ameaça de falsas retaliações violentas.
A captura da dupla ocorreu no bairro Siqueira, na periferia da capital cearense, coordenada por agentes da Delegacia de Roubos e Furtos. A ação policial foi desencadeada logo após uma das vítimas procurar as autoridades para relatar o golpe sofrido no último domingo.

O pretexto para atrair a vítima era sempre o mesmo. Utilizando um nome falso em uma plataforma digital, a mulher de 35 anos oferecia a promessa de encontros casuais. O local escolhido para o primeiro contato físico com a vítima denunciante foi o estacionamento de um supermercado. No entanto, o roteiro de sedução rapidamente deu lugar à coação física e psicológica.
Ao encontrar o homem, a suspeita apontou para dois motociclistas que aguardavam nas proximidades. De maneira intimidadora, ela afirmou que a dupla pertencia a uma facção criminosa que atuava na região e que o rapaz só sairia vivo dali caso pagasse “uma taxa” de R$ 1 mil. Encurralada pelo medo imediato de uma execução simulada, a vítima realizou uma transferência bancária instantânea via Pix para a conta da mulher. Sob constante pressão, ainda precisou recorrer a um amigo para enviar um segundo montante, desta vez depositado diretamente na conta da mãe da golpista.
Ao cruzar os dados das transações financeiras e os depoimentos recolhidos, o Núcleo de Inteligência da Polícia Civil localizou o paradeiro das duas mulheres. No momento da abordagem, houve tentativa de oposição à prisão, o que adicionou o crime de resistência à ficha da dupla, que já responderá por extorsão e associação criminosa.
Investigações preliminares apontam que o esquema não era um caso isolado. A mulher mais nova já vinha sendo investigada por uma ação idêntica ocorrida no início do mês. Agora, a polícia concentra esforços para rastrear e identificar os motociclistas que davam cobertura visual aos golpes, além de tentar mapear outras possíveis vítimas que, por constrangimento ou medo de retaliação, ainda não formalizaram queixa na delegacia.





