Higino Rolim, a memória que a rua não apaga

​Tradicional festejo junino resgata as origens teatrais de Cajazeiras e celebra o cinquentenário do Grupo Terra, coletivo que moldou a identidade artística da região

Compartilhe o Post

A Rua Higino Rolim guarda mais do que o tráfego rotineiro de Cajazeiras; ele preserva as pegadas de uma geração que transformou a cena cultural paraibana. Nesta sexta-feira (19) a artéria urbana volta a se converter no cenário que lhe deu fama. Um projeto de resgate cultural vai reviver o tradicional São João da localidade, unindo a celebração popular a um tributo histórico: os 50 anos do lendário Grupo Terra, movimento teatral que lançou as bases para grandes nomes das artes cênicas do país.

​Fundado na década de 1970, o coletivo fincou suas raízes naquela mesma via pública. Foi ali que jovens da comunidade começaram a experimentar o teatro como ferramenta de expressão e identidade. O grupo se tornou um celeiro de talentos, revelando nomes que viriam a ganhar projeção nacional, como a atriz Marcélia Cartaxo, consagrada no cinema brasileiro com o Urso de Prata no Festival de Berlim, além de artistas dedicados como Soia Lira, Lincoln, Eliezer e o próprio Nanego Lira. Para além do entretenimento, a iniciativa funcionou como um ponto de virada para a produção cultural no interior do estado.

​A retomada do festejo, articulada por moradores históricos, antigos integrantes e pela gestão municipal, propõe uma imersão na memória afetiva local. Mais do que acender as fogueiras da tradição junina, o evento busca reconectar as novas gerações com o patrimônio imaterial da cidade, lembrando o período em que a Higino Rolim se transformava em palco a céu aberto. Organizada por figuras ligadas à trajetória do grupo, como Salvinho, Wilma e Rivelino, a homenagem pretende celebrar a herança deixada por esses profissionais.

​Ao reatar os fios dessa história, Cajazeiras reafirma sua vocação de terra da cultura. O tributo ao Grupo Terra não se limita à nostalgia; funciona como um reconhecimento de que o amadurecimento artístico da região começou no espaço público, através do esforço coletivo de amigos de infância. Na noite do dia 19, a velha rua volta a ser o ponto de encontro onde a arte e a tradição popular se misturam, provando que a identidade de um lugar se mantém viva quando suas raízes são lembradas.

Compartilhe o Post

Mais do Nordeste On.