Quem achava que a monarquia brasileira tinha acabado em 1889 claramente não conhece o potencial de uma boa briga de família por causa de imóvel. O Palácio do Grão-Pará, em Petrópolis, aquela simpática cabana neoclássica avaliada em módicos R$ 70 milhões, virou o cenário de um reality show de época que faria inveja a qualquer roteirista da Netflix. De um lado, tios e pai engravatados na administração de uma imobiliária; do outro, um herdeiro fitness trancado para fora de casa.
Tudo começou quando Pedro Tiago de Orléans e Bragança resolveu dar uma voltinha para praticar exercícios. Ao retornar ao palácio onde afirma ter nascido e sido batizado, o autointitulado príncipe descobriu que a “Família Real” aplica o conceito de “quem foi à fresta perdeu a vez”. Seguranças particulares, contratados pela própria firma da família (administrada pelo pai e por dois tios do rapaz), barraram sua entrada.
Mas como um bom sangue azul não foge à luta, e aparentemente conhece bem os pontos cegos do castelo, Pedro Tiago pulou para dentro por um acesso alternativo. O resultado? O nobre ficou sitiado nos jardins, a Polícia Militar foi chamada para resolver uma “invasão de domicílio” e a discussão foi pacificada da forma mais tradicional do subúrbio carioca: com bombas de gás lacrimogênio e todo mundo indo parar na delegacia.
Não satisfeitos em barrar o rapaz, os parentes decidiram aplicar a tática mais madura do direito imobiliário: chamaram o chaveiro no dia seguinte e trocaram as fechaduras.
Pedro Tiago teve que apelar para a Justiça comum (já que o absolutismo anda em baixa) e o juiz da 2ª Vara Cível de Petrópolis mandou a imobiliária dos tios desocupar o local imediatamente. Vitória do príncipe? Calma, que a novela tem mais um capítulo. Ao entrar novamente em seus aposentos, o herdeiro notou que os súditos, ou melhor, os parentes, haviam feito a limpa: sumiram roupas, bicicletas, um tablet, obras de arte e até um carro.
Enquanto a defesa do rapaz tenta entender como um automóvel e quadros históricos evaporam de um palácio vigiado, Pedro Tiago corre com uma ação de usucapião para garantir que o teto histórico não seja vendido pela própria família. Afinal de contas, os tempos mudaram: a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, mas o trineto dela agora precisa lutar na Justiça para não ter as próprias roupas dadas como perdidas na próxima caminhada matinal.





