Criar seis filhos sozinho no início do século passado não era uma tarefa trivial. Quando a esposa do veterano de guerra William Jackson Smart faleceu durante o parto do caçula, ele assumiu a criação de toda a família em uma fazenda no estado de Washington. Décadas depois, essa dedicação transformou a rotina da própria cultura ocidental.
Em 1909, durante um culto em homenagem às mães na cidade de Spokane, a filha de William, Sonora Louise Smart Dodd, questionou a ausência de um momento dedicado aos homens que também exerciam a paternidade com entrega. A partir daquele dia, Sonora passou a procurar lideranças religiosas e comunitárias para tirar a ideia do papel. O movimento funcionou e a primeira celebração ocorreu em 19 de junho de 1910, coincidindo com o aniversário do seu pai. Naquela ocasião, as pessoas usavam rosas na roupa: flores vermelhas indicavam que o pai estava vivo e brancas prestavam tributo aos falecidos.
A proposta ganhou apoio de figuras políticas ao longo das décadas, a começar pelo presidente Calvin Coolidge em 1924, mas demorou a entrar no calendário oficial dos Estados Unidos. Foi apenas em 1966 que a data passou a ser fixada no terceiro domingo de junho, tornando-se feriado nacional definitivo em 1972, assinado por Richard Nixon.
Do outro lado do continente, o Brasil construiu sua própria versão dessa história por razões bem mais comerciais. Em 1953, o publicitário Sylvio Bhering, que dirigia o jornal O Globo no Rio de Janeiro, percebeu que o comércio sofria com um longo período sem grandes vendas entre o Dia das Mães e o Natal.

Para movimentar os negócios no segundo semestre, Bhering sugeriu celebrar o “Dia do Papai” em 16 de agosto, aproveitando a data do calendário católico associada a São Joaquim, pai de Maria. Conforme a celebração se espalhou pelo país, o mercado adotou o formato móvel — o segundo domingo de agosto —, espelhando a lógica de maio. A aposta deu resultado duradouro: hoje, o evento aparece entre as quatro maiores datas do faturamento do varejo nacional.
Ao redor do globo, o reconhecimento da paternidade assume contornos variados. Países europeus de forte herança católica, como Portugal, Espanha e Itália, mantêm a celebração fixa em 19 de março, dia de São José. Na Alemanha, o momento é associado ao feriado religioso da Ascensão de Jesus, marcado por passeios em grupo. Na Rússia, a figura do pai não ganha um dia exclusivo, sendo lembrada em 23 de fevereiro no Dia do Defensor da Pátria, data voltada à celebração dos homens e das forças armadas.





