A força da solidariedade: garoto vítima de tubarão no Grande Recife dá os primeiros passos com prótese

​Aos 11 anos, João Lucas retoma a mobilidade após vaquinha cobrir equipamento de R$ 61 mil; caso acende novo alerta sobre a rotina de ataques no litoral pernambucano

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​O esforço para se levantar da cadeira de rodas durou poucos segundos, mas carregou meses de apreensão. Em uma clínica de fisioterapia em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, João Lucas Castor Nemezio Sales, de 11 anos, voltou a ficar de pé sem apoio alheio. O garoto, que teve a perna esquerda amputada após ser atacado por um tubarão em maio, iniciou a etapa de adaptação a uma prótese ortopédica avaliada em R$ 61 mil, valor alcançado graças a uma mobilização coletiva que uniu familiares, amigos e desconhecidos em campanhas de arrecadação.

Sob o olhar atento do ortopedista Tiago Bessa, a rotina de treinos exige paciência para reajustar o equilíbrio e acostumar o corpo ao novo membro. Cada passo dado no consultório representa a virada de página de um drama que começou em uma tarde de domingo na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.

O ataque ocorreu por volta das 13h40 do dia 31 de maio, quando o menino se banhava com parentes e amigos. Atingido no quadril, na mão e na perna, João Lucas foi socorrido inicialmente para o Hospital da Restauração, no centro da capital, e depois transferido para o Hospital Unimed Recife. Segundo análise do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), a investida partiu de um tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas), espécie conhecida pela habitual aproximação da faixa de areia.

A permanência no hospital durou mais de um mês, incluindo dias críticos na Unidade de Terapia Intensiva. Em 6 de julho, a alta médica transformou os corredores da unidade em espaço de comemoração: médicos e enfermeiros organizaram um corredor de palmas, balões em formato de coração e cartazes de incentivo. A acolhida se repetiu no retorno para casa, onde o pai, Lucas Nemezio, o conduziu até a porta cercado por mensagens de boas-vindas.

O episódio com a criança não foi isolado. Apenas 24 horas após o ataque a João Lucas, a jovem Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, também foi mordida por um tubarão na vizinha Praia de Boa Viagem. A estudante precisou passar por duas intervenções cirúrgicas, perdeu a perna direita e recebeu alta em 12 de julho, após 40 dias de internação.

Com o início do processo de reabilitação e o ajuste contínuo do equipamento ortopédico, a rotina de João Lucas ganha novos contornos, focada agora na fisioterapia diária para recuperar a autonomia dos movimentos e a rotina própria da infância.

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