Gerente dos Correios é alvo da PF por esquema de desvio de cartões no Maranhão

​Operação na Baixada Maranhense aponta que servidor usava acesso restrito ao sistema da estatal para simular entregas e mascarar o furto de correspondências bancárias.

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​Uma apuração que começou no balcão da agência dos Correios de São Bento, na Baixada Maranhense, terminou com a Polícia Federal na porta do antigo gestor da unidade nesta terça-feira (21). O funcionário é suspeito de montar um esquema silencioso: interceptar talões de cheques e cartões bancários enviados a moradores da região e, em seguida, adulterar o sistema interno da empresa para cobrir os rastros do crime.

A desconfiança começou dentro da própria estatal. Após notar o sumiço atípico de correspondências valiosas, a segurança interna dos Correios passou a cruzar relatórios de entrega com as imagens do circuito fechado de TV. As gravações e os registros de acesso revelaram o padrão do desvio. Em vez de seguirem para o endereço dos destinatários, as cartas com cartões eram separadas e retiradas manualmente antes de saírem para a rua.

Para evitar que os clientes percebessem o golpe de imediato ou que alertas fossem emitidos pela central, o ex-gerente usava suas credenciais para alterar o histórico dos pacotes. No sistema, ele lançava justificativas falsas, informando que o material havia sido entregue ao destinatário ou que tinha se perdido no trajeto habitual de transporte.

Durante o cumprimento de dois mandados de busca e apreensão na cidade, os agentes federais recolheram mídias digitais, computadores e documentos. O material passa agora por perícia técnica para determinar quantos clientes foram lesados, o valor movimentado com os cartões desviados e se o servidor agia em conjunto com fraudadores externos encarregados de desbloquear os valores.

O investigado responderá pelos crimes de peculato, apropriação ou desvio de bem público por quem ocupa o cargo, e por inserção de dados falsos em sistema de informação. Somadas, as penas podem ultrapassar 12 anos de reclusão. A Polícia Federal informou que o inquérito segue em andamento e que o servidor terá o direito de apresentar sua defesa ao longo do processo.

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