Do assentamento para a mesa: Paraíba lança a primeira fábrica de leite de cabra em pó do Nordeste

​Com investimento de R$ 5 milhões e operação prevista para setembro, agroindústria instalada em Casserengue vai processar 45 mil litros de leite por dia, transformando a economia familiar de 16 municípios.

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​O horizonte do Curimataú paraibano ganha contornos de inovação industrial a partir de uma iniciativa que une reforma agrária, associativismo e segurança alimentar. O município de Casserengue será a sede da primeira fábrica de beneficiamento de leite de cabra em pó do Nordeste. Instalada no assentamento Che Guevara, ligado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a nova unidade surge para solucionar um dos maiores gargalos dos pequenos produtores da região: a conservação e o escoamento da produção leiteira.

Orçado em R$ 5,08 milhões, o projeto é liderado pela Cooperativa de Produção e Comercialização do Curimataú Paraibano (Coopac), que já distribui leite fluido, queijos e iogurtes sob a marca Nutrilê. Com a transição para a tecnologia do leite em pó, a cooperativa salta de uma captação atual de 50 mil litros por mês para uma capacidade de processamento diário de 45 mil litros. A mudança elimina a barreira do prazo de validade curto do leite in natura, permitindo o armazenamento de longo prazo e a abertura de novos mercados consumidores.

A viabilização do complexo industrial é o resultado de um arranjo financeiro e institucional que conecta diferentes esferas públicas ao campo. O Governo da Paraíba aportou R$ 1,5 milhão na iniciativa, mesmo valor investido pelo Governo Federal. Por sua vez, a Coopac assumiu o investimento de mais R$ 1,5 milhão na planta tecnológica, somado a R$ 580 mil destinados à infraestrutura física do prédio. O repasse dos recursos estaduais foi oficializado em solenidade recente, assegurando o cronograma que prevê o início das operações para setembro deste ano.

O impacto social da fábrica redesenha as perspectivas econômicas locais. Inicialmente, o projeto abrange 390 famílias cooperadas distribuídas por 16 municípios paraibanos, mas a expectativa é que o número de produtores fornecedores alcance 500 no curto prazo, com potencial para atingir até 1,8 mil famílias integradas à rede de fornecimento. Ao retirar os limites de cotas para a entrega do leite, a fábrica garante previsibilidade financeira e estímulo para o aumento do rebanho familiar.

A sustentabilidade comercial da indústria está atrelada tanto ao mercado consumidor geral quanto às compras governamentais. Atualmente, o governo estadual já adquire 36 mil litros de leite mensais da Nutrilê para abastecer programas de assistência social e combate à fome. Com o formato em pó, a logística de distribuição para escolas, creches e hospitais ganha eficiência, reduzindo custos de transporte e refrigeração, além de consolidar o papel da caprinocultura como vetor de permanência das novas gerações no meio rural.

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