Da flora africana ao tubo de ensaio: UFPB patenteia creme dental natural à base de “falsa-mirra”

​Formulação inédita utiliza o óleo essencial da Tetradenia riparia para combater cáries e inflamações gengivais sem a necessidade de flúor, superando marcas comerciais em testes de estabilidade.

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​A busca por alternativas naturais na higiene pessoal ganhou um aliado tecnológico no Nordeste. Pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) desenvolveram um creme dental inédito que substitui o flúor tradicional pelo óleo essencial da Tetradenia riparia, uma planta nativa do sul da África popularmente chamada de mirra ou pluma-de-névoa. O projeto, que já resultou em um pedido de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), sinaliza um novo caminho para o mercado de cosméticos e para a bioeconomia regional.

Embora seja uma espécie exótica no Brasil, frequentemente cultivada em jardins residenciais como repelente natural de insetos, a planta revelou propriedades farmacológicas robustas nos laboratórios da instituição. Sob a coordenação de uma equipe multidisciplinar, cientistas identificaram no vegetal forte ação antioxidante, analgésica e bactericida, preenchendo uma lacuna de aplicação industrial que até então ignorava o potencial comercial da espécie.

 

Durante os ensaios comparativos com marcas consolidadas no mercado, o composto paraibano sobressaiu-se nos critérios de durabilidade. Enquanto os dentifrícios convencionais perderam textura e aspectos visuais ao longo dos testes de estabilidade, a fórmula universitária preservou o brilho e a consistência originais. A performance técnica reflete a viabilidade de grande escala para o setor fabril, reduzindo a dependência de aditivos sintéticos comuns em formulações de massa.

A resposta prática dos usuários também superou as expectativas iniciais em testes de aceitabilidade. Voluntários que substituíram a pasta comum pelo invento relataram uma sensação prolongada de assepsia bucal. O principal destaque clínico percebido empiricamente foi a atenuação de quadros de gengivite, efeito atribuído aos componentes anti-inflamatórios naturais do óleo essencial.

O avanço é assinado pelos pesquisadores Melânia L. Cornélio, Josilene de Assis Cavalcante, Yuri Mangueira Do Nascimento, José Maria Barbosa Filho e Felipe Queiroga Sarmento Guerra. O grupo agora projeta a transferência dessa tecnologia para o setor produtivo, transformando a pesquisa acadêmica em um produto acessível que valorize a cadeia de insumos regionais e ofereça uma transição segura para consumidores que buscam restrições ao uso do flúor.

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