Corolla muda de endereço: Toyota centraliza operação em Sorocaba e encerra ciclo de 26 anos em Indaiatuba

​Montadora investe R$ 11 bilhões para unificar produção no interior paulista; acordo com sindicato garante transferência ou indenização de até 45 salários para trabalhadores.

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​A linha de montagem que deu origem ao primeiro veículo híbrido flex do mundo vai silenciar. No dia 30 de junho, a Toyota encerra definitivamente as atividades de sua histórica fábrica em Indaiatuba, no interior de São Paulo. Inaugurada em 1998, a estrutura foi responsável por produzir mais de 1 milhão de unidades do Corolla Sedan. Agora, a fabricação do modelo será integralmente transferida para o complexo industrial de Sorocaba, consolidando uma reestruturação que vinha sendo desenhada desde o ano passado.

A desativação não sinaliza um recuo da marca japonesa no mercado nacional, mas sim uma estratégia de concentração produtiva. A empresa projeta um plano de investimentos de R$ 11 bilhões no país até 2030, montante direcionado à construção de uma nova ala em Sorocaba voltada para veículos eletrificados. Ao unificar as operações em um único polo, a fabricante busca otimizar a logística, reduzir custos operacionais e acelerar suas metas globais de descarbonização.

O movimento industrial exigiu uma complexa negociação trabalhista para mitigar o impacto social na região de Indaiatuba, onde a fábrica empregava 1,5 mil profissionais. Após paralisações e debates iniciados em 2024, as bases de transição foram pactuadas com o Sindicato dos Metalúrgicos. De acordo com a presidência da montadora, há vagas suficientes para absorver todos os operários que optarem pela migração de cidade.

O plano de transição oferece caminhos distintos para a força de trabalho. Os funcionários que escolheram o desligamento recebem um pacote indenizatório correspondente a 45 salários. Já os profissionais que aceitaram a transferência para a nova unidade têm estabilidade empregatícia assegurada até julho de 2029. Para quem vai se deslocar diariamente sem mudar de residência, o incentivo inclui dois salários extras e um bônus fixo de R$ 15 mil. Quem optou pela mudança definitiva de domicílio recebe um auxílio equivalente a 2,4 salários.

​Enquanto Indaiatuba se despede do setor automotivo, a expectativa econômica se desloca para o novo polo concentrador. A expansão das instalações já abriu cerca de duas mil vagas diretas de trabalho. O Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba projeta um efeito cascata positivo para a cadeia local de suprimentos, com o potencial de gerar mais de 8 mil postos de trabalho entre empregos diretos e indiretos nos próximos anos.

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