Cobrança paralela e reféns no Cariri: PM é preso por sequestrar família no interior do Ceará

​Agente afastado da corporação invadiu residência e manteve idosos e crianças sob a mira de arma para forçar pagamento de dívida de terceiro

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​Um acerto de contas particular com requintes de violência transformou uma casa de zona rural em cenário de sequestro e cárcere privado no interior do Ceará. Um soldado da Polícia Militar se entregou à Polícia Civil após passar mais de dois meses na mira da Justiça por invadir um imóvel, render uma família inteira sob ameaça de arma de fogo e retenção de celulares para impedir qualquer pedido de socorro.

O episódio ocorreu em meados de maio no Sítio Tereza, localidade do distrito de Arajara, em Barbalha. Munido de arma de fogo, o policial Daniel Lopes da Silva, de 35 anos, invadiu a propriedade e tomou os moradores como reféns. Entre as pessoas retidas no imóvel estavam idosos e crianças. O motivo da abordagem violenta não tinha qualquer relação com o serviço policial: o agente tentava reaver, à força, uma quantia em dinheiro devida por um dos residentes a um amigo pessoal.

A privação de liberdade do grupo só chegou ao fim graças à vigilância de um morador da região. Ao notar a movimentação suspeita na residência, a testemunha acionou as autoridades. Na data do crime, o agressor conseguiu deixar o local sem ser capturado em flagrante.

A prisão preventiva acabou efetivada apenas quando o soldado compareceu voluntariamente à Delegacia de Polícia Civil de Barbalha. Lotado na 1ª Companhia do 2º Batalhão da PM, o agente já estava fora das ruas antes do episódio, usufruindo de uma licença médica para acompanhar o tratamento de saúde de um parente.

Enquanto o militar permanece custodiado à disposição do Poder Judiciário para responder pelas acusações na esfera criminal, a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) abriu processo administrativo para apurar a conduta do servidor e aplicar as sanções disciplinares cabíveis.

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