O silêncio do Sertão de Crateús deu lugar ao barulho de estampidos na noite do último sábado. Homens armados cruzaram as vias de uma comunidade rural em Monsenhor Tabosa efetuando disparos a relento, em uma ação ostensiva desenhada para espalhar terror entre moradores e comerciantes locais. Embora as balas tenham atingido apenas fachadas e muros, sem deixar feridos, o recado do crime organizado ressoou por toda a região.
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A investida na zona rural foi apenas o prelúdio de uma escalada de intimidações. Dias após o ataque, o subsecretário de Agricultura do município, que também é irmão do prefeito Salomão, passou a receber ameaças explícitas de morte por meio de redes sociais. As mensagens, atribuídas a um grupo criminoso com forte atuação na cidade, forçaram o chefe do Executivo municipal a ir à delegacia na quarta-feira para registrar um boletim de ocorrência e cobrar providências urgentes das forças de segurança.
A realidade relatada por quem vive no município traduz um cenário rotineiro de apreensão. A violência cotidiana se desdobra em cobranças de taxas ilegais a pequenos empresários e no drama de famílias sumariamente expulsas de suas residências por ordens vindas do crime. A sensação de vulnerabilidade faz com que a população evite comentar os episódios publicamente, temendo retaliações.
Em resposta aos episódios recentes, a Polícia Militar reforçou o patrulhamento ostensivo na sede do município e nas áreas rurais. Equipes da Força Tática do 7º Batalhão foram deslocadas para apoiar as operações no terreno, enquanto a Polícia Civil conduz os trabalhos de inteligência para tentar identificar os responsáveis pelos disparos e pelos ataques virtuais ao servidor público. As autoridades policiais reforçam a importância de informações enviadas de forma anônima pelo canal 190 para auxiliar no avanço das apurações.





