Pesquisa da Unifesp indica nova rota contra o avanço de tumores

​Bloqueio da proteína sindecam-4 desacelera a multiplicação celular e a metástase, mas desafio é proteger tecidos saudáveis

Compartilhe o Post

​Uma proteína que atua como ponto de fixação para as estruturas celulares virou alvo de estudos que buscam interromper o avanço do câncer. Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo identificaram que o silenciamento da sindecam-4, conhecida como SDC4, consegue travar a replicação de células tumorais e limitar sua capacidade de invadir outros órgãos.

Em condições normais, a SDC4 fica alojada na superfície da célula e conecta o ambiente externo ao esqueleto interno de actina. Essa ligação orienta processos básicos do organismo, como a sustentação dos tecidos, o deslocamento celular e a renovação de estruturas biológicas. No ambiente de um tumor, contudo, o mesmo mecanismo que garante estabilidade passa a ser explorado pelas células doentes para acelerar sua expansão.

​Ao reduzir a presença da proteína em testes de laboratório, os cientistas observaram uma interrupção no ciclo de divisão celular. Sem a sinalização adequada da SDC4, as células malignas encontram barreiras para ultrapassar as fases de checagem do próprio organismo e deixam de se multiplicar com a velocidade habitual.

O impacto também atinge a fase em que o câncer tenta se espalhar. Para consolidar a metástase, uma célula precisa se desprender do tumor primário, resistir ao isolamento no fluxo sanguíneo e encontrar espaço em um novo tecido. A inibição da SDC4 enfraquece essa resistência, deixando o tumor mais vulnerável durante o trajeto.

Apesar da perspectiva promissora, a aplicação prática exige cautela. Como a proteína não é exclusiva das células doentes e cumpre funções vitais em diversos órgãos, a intervenção indiscriminada gera efeitos colaterais. Médicos que acompanham o avanço de terapias moleculares ponderam que o bloqueio amplo da SDC4 pode comprometer funções biológicas essenciais, como a capacidade do corpo de regenerar a pele e fechar feridas, limitação já registrada em testes com animais.

O passo seguinte do desenvolvimento científico depende da criação de métodos direcionados, capazes de desativar a SDC4 exclusivamente nas áreas afetadas pela doença, preservando a integridade dos tecidos sadios ao redor.

Compartilhe o Post

Mais do Nordeste On.