O mercado de trabalho brasileiro assiste a uma transição silenciosa, mas profunda, conduzida por quem já acumulou décadas de história. Longe de enxergar a aposentadoria como um ponto final, uma parcela expressiva da população com mais de 60 anos tem canalizado sua bagagem profissional para a criação de novas empresas. Esse movimento, impulsionado pelo aumento da longevidade e pelo desejo de manter a mente ativa, ganha força ao mostrar que a experiência acumulada se tornou um ativo valioso para a economia local e nacional.
No Maranhão, os números traduzem essa realidade em dados concretos. Um levantamento da Unidade de Inteligência de Dados do Sebrae, baseado em registros da Receita Federal e do IBGE, revela que o estado contabiliza 40.774 sócios de empresas ativas na faixa etária entre 60 e 68 anos. A grande maioria desse contingente, cerca de 88%, concentra seus esforços nos pequenos negócios, um segmento conhecido por sustentar a economia de bairros e municípios. O perfil desse empresariado maranhense é composto por 61,8% de homens e 38,2% de mulheres, refletindo um universo diverso que busca a consolidação de projetos pessoais e, frequentemente, soluções voltadas para o desenvolvimento sustentável.
Em nível nacional, o panorama repete o fôlego de renovação. O Brasil conta hoje com aproximadamente 4,5 milhões de empreendedores que já ultrapassaram a barreira dos 60 anos, registrando um salto de quase 60% ao longo da última década. Ao contrário do que o senso comum pressupõe, a busca pelo próprio negócio não é motivada majoritariamente pela falta de renda. Os indicadores do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) apontam que quase 63% dos novos empresários entre 65 e 74 anos decidiram investir em uma empresa após identificarem uma oportunidade real de mercado, enquanto pouco mais de 32% o fizeram por estrita necessidade financeira.
Apesar do entusiasmo e da robusta rede de contatos que esses profissionais carregam, o percurso impõe barreiras culturais e operacionais. Os novos empreendedores da terceira idade frequentemente enfrentam o idadismo no ambiente corporativo, além de precisarem acelerar o passo para dominar ferramentas digitais e acompanhar a velocidade das inovações tecnológicas. Em contrapartida, a maturidade emocional e a visão estratégica moldadas pelo tempo funcionam como uma espécie de blindagem, permitindo decisões mais equilibradas em momentos de oscilação econômica.

Essa transformação no perfil de quem gera emprego e renda será um dos eixos centrais dos debates da Feira do Empreendedor, agendada para ocorrer entre os dias 14 e 16 de agosto no Multicenter Negócios e Eventos, em São Luís. O encontro pretende jogar luz sobre as ferramentas de apoio a essa geração, consolidando a ideia de que a inovação não tem relação com a data de nascimento, mas com a capacidade de enxergar o mundo sob novas perspectivas.





