A verdade nua e crua é que o primeiro tempo dessa final entregou um espetáculo anestésico, muito distante do que se espera do ápice do futebol mundial. O MetLife Stadium foi palco de um monólogo de passes laterais e de uma barreira defensiva intransponível, resultando em 45 minutos onde a emoção foi completamente rifada em nome da segurança tática. Sobrou respeito mútuo e faltou coragem.
A Espanha transformou o seu celebrado estilo de jogo em um fetiche pela posse de bola burocrática. Ver a bola circular de pé em pé, sem nenhuma aceleração ou tentativa de drible vertical, gerou um sentimento de enfado. É um domínio que não agride, que não assusta e que confunde controle de jogo com pura passividade. Faltou aquele lampejo de rebeldia que rasga defesas fechadas.
Por outro lado, a Argentina optou por ser o espelho dessa monotonia. Ao abdicar completamente de contra-atacar e focar apenas em fechar os espaços, os atuais campeões mundiais transformaram a partida em um exercício de sobrevivência psicológica. O isolamento de Messi e Julián Álvarez transformou o ataque albiceleste em um deserto criativo. No fim, as duas seleções entraram em campo engessadas pelo pavor da derrota, oferecendo um xadrez excessivamente calculado e desprovido da paixão que move o torcedor.





