Quando Ted Turner lançou a CNN em 1980, ele não criou apenas a primeira rede de notícias 24 horas do planeta; ele fez uma promessa ousada: a de que o canal ficaria no ar até o fim dos tempos. O que o público não sabia é que essa declaração não era apenas força de expressão. Havia um plano real, técnico e coreografado para o momento exato em que a civilização entrasse em colapso.
Emissoras tradicionais sempre usaram o hino nacional para abrir e fechar sua programação diária. Contudo, para um canal que nunca dorme, a execução do hino só ocorreria em uma circunstância definitiva. Pensando nisso, Turner encomendou uma gravação militar para ser acionada caso um desastre nuclear iminente inviabilizasse a continuidade da vida humana e das transmissões.
A produção consistia em um vídeo de apenas um minuto, gravado por uma banda das forças armadas americanas. Em vez de uma marcha patriótica triunfal, a escolha musical foi um arranjo instrumental de “Nearer, My God, to Thee” (Mais Perto Quero Estar, Meu Deus), hino cristão do século 19 composto por Sarah Flower Adams, a mesma melodia que, reza a lenda, foi tocada pela banda do Titanic enquanto o navio naufragava. A letra original da canção evoca passagens em que o Sol se põe e a escuridão cobre a terra, simbolizando a transição final.
O segredo sobre a existência do arquivo foi mantido por décadas nos bastidores da empresa, guardado sob a etiqueta de que só deveria ser liberado em caso de confirmação do fim do mundo. O próprio fundador admitiu anos mais tarde que não conseguia assistir à gravação sem se emocionar, consciente do peso que aquele minuto de imagens carregava.
A fita, que deveria permanecer trancada até o juízo final, acabou vazando na internet em 2015 por meio de um antigo funcionário da rede de notícias. O vazamento revelou ao público a melodia melancólica que teria sido a última imagem de uma era.
Hoje, com as mudanças no controle acionário da companhia e a evolução dos sistemas de comunicação globais, o protocolo original perdeu o sentido prático e dificilmente seria utilizado em uma emergência atual. Ainda assim, o registro sobrevive como um testamento curioso da Guerra Fria e da própria obsessão humana em documentar e sonorizar o seu próprio desfecho.





