Facção tenta tomar gestão de condomínio em Fortaleza para monopolizar serviços de água e internet

​Três homens foram presos pela Polícia Civil após coagirem moradores, expulsarem prestadores de serviço e exigirem a renúncia do síndico no bairro Guajeru

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​A intimidação que interfere na rotina de conjuntos habitacionais em Fortaleza encontrou barreira na atuação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Três homens apontados como integrantes do Comando Vermelho foram presos sob a acusação de arquitetar a tomada do controle administrativo de um condomínio residencial no bairro Guajeru. O plano do grupo previa a destituição forçada do síndico para instalar uma liderança alinhada à organização criminosa, garantindo o monopólio sobre a venda de insumos essenciais, como água potável e conexão de internet.

As investigações da Polícia Civil revelam que a investida contra o residencial vinha sendo estruturada desde 2025. O grupo impunha um regime de medo entre os condôminos, invadindo as áreas comuns do imóvel e proibindo a entrada de técnicos e prestadores de serviço sem autorização prévia da facção. Trabalhadores que tentavam atender aos chamados dos moradores eram expulsos do local sob ameaça.

Identificados como Francisco Jefferson Rocha Araújo, Ronilson Pereira do Nascimento e Breno Matias da Silva, os detidos desempenhavam papéis específicos no esquema. Francisco Jefferson, apontado como executor das extorsões e coações aos moradores, já havia sido preso em março de 2025 e respondia em liberdade com tornozeleira eletrônica desde fevereiro deste ano. Breno Matias atuava no braço operacional, participando das invasões e controlando o tráfico de drogas na região, enquanto Ronilson atuava diretamente na coerção às famílias.

Capturados no dia 16 de julho em diferentes pontos da capital cearense, os investigados passaram por audiência de custódia, onde as prisões em flagrante foram convertidas em prisão preventiva.

A investida no Guajeru expõe uma modalidade de atuação que avança sobre bairros vizinhos da capital, na qual o crime organizado busca obter lucro com a cobrança de taxas e a oferta exclusiva de serviços básicos. A menos de dois quilômetros do local das prisões, no bairro José de Alencar, moradores de outro residencial enfrentaram terror semelhante no final do ano passado, quando pichações nas paredes do prédio exigiam a desocupação dos apartamentos em 24 horas, acompanhadas do número das placas dos carros de quem deveria fugir.

Com a manutenção das prisões, a polícia busca interromper a investida de facções sobre a gestão de conjuntos habitacionais e devolver a rotina de segurança aos moradores da região.

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