Por trás do brilho dos holofotes e do som do forró que embalam O Maior São João do Mundo, em Campina Grande, uma estrutura silenciosa se articula diariamente para garantir que a festa não se transforme em cenário de violação de direitos. Na entrada do Parque do Povo, o Posto de Comando Integrado (PCI) torna-se o quartel-general de uma força-tarefa que reúne forças de segurança, a empresa organizadora Arte Produções e a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas). Todos os dias, no início da noite, e por vezes na madrugada, o grupo se reúne para ajustar estratégias com base no comportamento e no tamanho do público.
Este ano, a chamada Ação Intersetorial atinge marcos importantes, chegando à sua 11ª edição no Parque do Povo e à 6ª no distrito de Galante. O foco principal é servir de barreira protetora para a infância e a adolescência. Na prática, a articulação funciona como um suporte imediato para a Polícia Militar. Segundo o coronel Hilmário Xavier, comandante do CPR I, os policiais costumam ser o primeiro ponto de contato quando uma criança se perde ou se encontra em vulnerabilidade. A existência de uma equipe especializada e de uma sala de acolhimento permite que o direcionamento desses menores seja humano e técnico, liberando o policiamento para a segurança externa.
A necessidade de respostas rápidas é endossada por Natanael Cortez, diretor da Arte Produções, que aponta a facilidade com que crianças se dispersam dos responsáveis em eventos desse porte, demandando equipes prontas para intervir mesmo quando a sinalização do espaço é eficiente. Da parte da Semas, Ronaldo Rodrigues explica que o monitoramento do fluxo de pessoas dita o posicionamento dos assistentes nas ruas e palcos.
Os números consolidados da primeira metade dos festejos, que compreendem o período do dia 3 ao dia 19, revelam a complexidade do desafio nesta edição. Foram contabilizadas 136 abordagens no total, distribuídas quase simetricamente: 68 ocorrências no Parque do Povo e 66 em Galante, este último considerando os dois primeiros fins de semana de festa no distrito.
Apesar do esforço de blindagem, os dados deste ano acenderam um alerta vermelho para os coordenadores. Paulineto Sarmento, coordenador geral da iniciativa, chama a atenção para um retrocesso preocupante: o reaparecimento de casos frequentes de trabalho infantil, incluindo o flagrante de uma criança recolhendo materiais recicláveis no Parque do Povo. O cenário contrasta drasticamente com o ano anterior, quando apenas dois episódios dessa natureza foram identificados em toda a temporada. Somado a isso, as equipes relatam o aumento de casos de adolescentes menores de 14 anos sob efeito de álcool ou substâncias entorpecentes, especialmente em datas com atrações musicais de grande apelo popular.
O diagnóstico adverso impõe uma revisão constante dos métodos de abordagem. Para o secretário da Semas, Fábio Thoma, o acompanhamento rigoroso dessas intercorrências serve de bússola para ajustar o trabalho de campo. O objetivo final da pasta permanece fixado em zerar as violações e garantir a integridade dos menores, utilizando a rede de assistência do município para dar encaminhamento e suporte a cada família identificada em situação de risco durante a maratona junina.
Com assessoria





