Operação Ponto Cego: Polícia retira câmeras usadas por facção para espionar cidades da PB

Equipamentos transmitiam rotina de moradores e policiais em tempo real para chefes do crime no Rio de Janeiro.

Compartilhe o Post

​O cotidiano de nove municípios da Grande João Pessoa estava sob as lentes de um observador invisível e distante. Câmeras de segurança instaladas de forma clandestina em postes, becos e esquinas residenciais não serviam para proteger a população, mas para municiar o crime organizado. Na manhã desta quinta-feira (18), a Polícia Civil da Paraíba acionou o interruptor desse sistema ilegal ao deflagrar a Operação Ponto Cego, que mira o desmonte de 69 equipamentos de videomonitoramento espalhados pela região metropolitana.

​A ação de campo, que conta com o suporte da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO) e do Corpo de Bombeiros, escancara o nível de sofisticação tecnológica das facções locais e suas conexões interestaduais. Em Cabedelo, um dos alvos centrais da ofensiva, um homem responsável por operar o sistema foi preso em flagrante. O município litorâneo vivia uma realidade peculiar e assustadora: suas ruas eram monitoradas em tempo real a cerca de 2.400 quilômetros de distância, diretamente do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

​As investigações conjuntas da Polícia Federal e do Ministério Público da Paraíba revelam que a engrenagem desse monitoramento remoto atende pelo nome de Flávio de Lima Monteiro. Conhecido como “Fatoka”, a liderança do Comando Vermelho na região comandava o esquema mesmo estando foragido em território fluminense. De lá, ele e seus aliados acompanhavam os passos de moradores e, principalmente, a rotina e os deslocamentos de agentes públicos de segurança, antecipando-se a possíveis incursões policiais.

​A ofensiva desta quinta-feira não é um fato isolado, mas o desdobramento de um histórico recente de enfrentamento ao crime na região. Nos últimos anos, mais de dez operações policiais foram realizadas para apurar os tentáculos de facções na Paraíba, com investigações que passam por esquemas de corrupção e tentativas de infiltração na própria administração municipal de Cabedelo.

​Com a retirada dos aparelhos em cidades como Santa Rita, Conde, Bayeux, Pedras de Fogo, Pitimbu, Alhandra e Caaporã, além da capital e de Cabedelo, as forças de segurança tentam devolver a privacidade aos moradores e restabelecer o controle territorial do Estado, interrompendo a transmissão de um sinal que alimentava a violência à distância.

Compartilhe o Post

Mais do Nordeste On.