O São João que pulsa fora do Parque do Povo: Campina Grande aposta na descentralização da memória

​Secretária de Cultura detalha o plano de ocupar museus e injetar aporte histórico no Quadrilhódromo para resgatar a identidade da festa

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​O gigantismo do palco principal do Maior São João do Mundo, em Campina Grande, costuma monopolizar os holofotes e as multidões. No entanto, a engrenagem que sustenta a identidade da maior festa junina do país opera também em outra frequência, mais silenciosa e profunda. Longe do som dos grandes sistemas de áudio do Parque do Povo, uma rede de equipamentos públicos foi acionada para transformar a história local no verdadeiro fio condutor dos festejos deste ano.

​A estratégia de capilaridade busca reverter uma tendência comum em megaleventos: o apagamento das tradições locais pelo entretenimento de massa. De acordo com a secretária de Cultura do município, Anny Karenine, a meta da temporada foi unificar os espaços geridos pela pasta, convertendo museus, bibliotecas e centros culturais em palcos ativos da programação. O plano visa garantir que o turista e o morador encontrem a herança paraibana em múltiplos pontos da cidade, e não apenas no pátio central de eventos.

​Essa ocupação territorial ganha corpo em instituições tradicionais como a Filarmônica Epitácio Pessoa e o Centro Cultural Lourdes Ramalho. Da mesma forma, o Museu Histórico, o Museu do Algodão e a Biblioteca Municipal abriram suas portas com programações específicas. A proposta converte esses locais em refúgios de salvaguarda da memória campinense, oferecendo atividades que explicam as origens do ritmo e dos costumes que hoje movimentam a economia local.

​O maior reflexo financeiro e prático dessa descentralização está no fortalecimento das quadrilhas juninas, manifestação que desenha o visual e a narrativa da festa. Através de um convênio com a Associação de Quadrilhas Juninas (Asquaju), a administração municipal destinou um investimento de R$ 420 mil para o segmento. O montante, classificado pela gestão como inédito em termos de volume de recursos, foi distribuído para custear as exibições no Quadrilhódromo, na Pirâmide do Parque do Povo e na Vila do Artesão.

​Ao injetar verba diretamente nos grupos folclóricos e nas agremiações de bairro, o município tenta manter o equilíbrio entre o espetáculo comercial e a base comunitária que fundou o evento décadas atrás. Para além do apelo turístico, a diversificação dos polos artísticos funciona como um mecanismo de sustentabilidade cultural, assegurando que o patrimônio imaterial do Nordeste permaneça como o principal argumento da festa.

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