O esgotamento dos prazos fixados em negociações passadas trouxe de volta o silêncio aos corredores administrativos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A paralisação dos servidores técnico-administrativos atingiu a marca de três meses, motivada pela ausência de respostas efetivas do governo federal a compromissos assumidos há dois anos. A principal faísca para o atual impasse foi a expiração do prazo de abril para a implementação do sistema de Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), diretriz que valoriza a formação e a experiência prática da categoria.
O movimento atual é um desdobramento direto da grande mobilização ocorrida em 2024. Naquela ocasião, o encerramento das atividades foi condicionado a um cronograma de metas progressivas. Segundo a coordenação do Sindicato dos Trabalhadores em Ensino Superior do Estado da Paraíba (Sintespb), o não cumprimento da cláusula do RSC dentro da janela estipulada inviabilizou a continuidade do diálogo sem uma nova medida de pressão. Além do sistema de competências, a pauta da categoria exige a reestruturação da carreira e a instituição da jornada de 30 horas semanais sem prejuízo aos vencimentos.
As consequências do movimento se refletem no cotidiano dos estudantes. A suspensão de atividades em bibliotecas e as restrições em laboratórios alteraram o ritmo de pesquisas e o calendário de aulas práticas, que dependem diretamente do suporte técnico. Alunos de graduação relatam dificuldades para manter o rendimento acadêmico, especialmente aqueles que utilizam a infraestrutura da instituição como principal ferramenta de estudo por não possuírem alternativas de pesquisa fora do campus.
Nos bastidores da administração, o fluxo de documentos e o atendimento das coordenações de curso operam sob forte lentidão. Com equipes reduzidas ao mínimo legal, comunicados oficiais emitidos pelos departamentos alertam sobre o acúmulo de demandas e o atraso inevitável na resolução de pendências burocráticas dos discentes.
A saída para o impasse depende agora de uma assinatura em Brasília. Representantes sindicais apontam que as negociações avançaram e a minuta do decreto regulamentador, elaborada pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, foi encaminhada à Casa Civil. O retorno definitivo dos servidores às funções está condicionado à publicação do texto pela Presidência da República, formalizando as garantias acordadas no período anterior.





