Esqueça a ideia de uma casa com quintal e dois carros na garagem. Em Calabasas, Will Smith não vive apenas em uma mansão; ele governa um enclave geográfico que faria alguns monarcas europeus sentirem uma pontada de inveja. Ocupando um terreno de 60 hectares, o que, em termos práticos para o brasileiro médio, equivale a 85 gramados do Maracanã, a propriedade é tão vasta que o serviço postal dos Estados Unidos desistiu de integrá-la ao bairro e concedeu ao ator um código postal exclusivo. É o luxo levado ao nível de autonomia governamental.
A construção da fortaleza demorou sete anos, tempo suficiente para uma criança ser alfabetizada enquanto os arquitetos Stephen Samuelson e Harry Perez-Daple tentavam harmonizar um buffet estético que mistura a sofisticação da Art Nouveau com a espiritualidade da arquitetura indiana. O resultado de tamanha espera e do investimento de 42 milhões de dólares é uma estrutura de 2.300 m² que funciona como um museu habitável. Entre móveis sob medida inspirados nos anos 1930 e nove quartos onde ninguém precisa brigar pelo controle remoto, a casa abriga ainda um estúdio de gravação e um cinema privativo, provando que o astro de Hollywood leva o conceito de “home office” a um patamar onde o expediente nunca realmente acaba.
Se o interior da residência é um labirinto de design e história, o lado de fora ignora qualquer pretensão de modéstia. De frente para um lago que serve de moldura para o pôr do sol californiano, a área externa oferece o pacote completo da distração bilionária: quadras esportivas para todas as modalidades e uma piscina que, provavelmente, tem mais metros cúbicos que o apartamento de muitos mortais. Em um mundo onde o espaço é o maior dos privilégios, Will Smith não apenas comprou uma casa; ele adquiriu o direito de nunca mais precisar interagir com um vizinho, a menos que ele decida caminhar por alguns quilômetros até a própria cerca. É a materialização do sucesso que, ironicamente, precisa de um mapa para ser atravessado.





