A resposta iraniana não tardou e expandiu o conflito para além de suas fronteiras. Uma onda de ataques atingiu diversas nações que abrigam infraestrutura militar norte-americana, com explosões registradas em um arco que se estende do Iraque ao Catar, passando pelos Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait e Jordânia. Essa reação em cadeia transforma a disputa bilateral em uma conflagração regional de proporções incertas, elevando o risco para as rotas comerciais e para a estabilidade política de aliados ocidentais na periferia do Golfo Pérsico.
No Brasil, o Itamaraty reagiu com rapidez, emitindo uma nota oficial que condena o uso da força e clama pela “máxima contenção” das partes envolvidas. O posicionamento brasileiro enfatiza o respeito ao Direito Internacional, num esforço para preservar os canais diplomáticos que agora parecem obstruídos pelos destroços das explosões. O governo brasileiro manifestou preocupação direta com o colapso das negociações nucleares, reforçando a tese de que apenas o compromisso verificado pode afastar o fantasma da proliferação atômica na região.
Enquanto a fumaça ainda paira sobre as bases militares atingidas, o corpo diplomático brasileiro mantém regime de prontidão. O embaixador do Brasil em Teerã lidera um esforço de monitoramento constante, estabelecendo contato direto com os brasileiros residentes no Irã para garantir sua segurança em meio à volatilidade do cenário. O momento é de incerteza: se por um lado o Ocidente justifica a ação como medida preventiva contra um suposto arsenal nuclear em gestação, por outro, a realidade de um conflito aberto ameaça soterrar qualquer possibilidade de acordo técnico que estava sendo meticulosamente construído na Suíça.
Leia a nota:
O Governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados hoje (28/2) por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região.
O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil.
As embaixadas do Brasil na região acompanham os desdobramentos das ações militares, com particular atenção às necessidades das comunidades brasileiras nos países afetados. Recomenda-se aos brasileiros que estejam atentos às orientações de segurança das autoridades locais nos países onde morem ou se encontrem.





