A tradição do mês de junho em João Pessoa pode ceder espaço a uma urgência mais imediata: a sobrevivência e a reconstrução. Em um posicionamento que reflete a gravidade do cenário climático recente, a gestão municipal sinalizou que não hesitará em cancelar a programação do São João caso as necessidades das famílias atingidas pelas chuvas exijam o redirecionamento total do orçamento público. A declaração surge em um momento em que a capital paraibana tenta se recuperar de precipitações que transbordaram rios, isolaram comunidades e deixaram dezenas de desabrigados.
Durante entrevista ao programa televisivo “Ô Paraíba Boa”, Leo Bezerra adotou um tom de pragmatismo ético. Ao relatar a pressão sobre as equipes de assistência social e defesa civil, o gestor ressaltou que a manutenção de grandes eventos festivos torna-se secundária diante do luto e da perda material de parte da população. Para a administração, o foco atual está concentrado em garantir abrigo, alimentação e saúde para aqueles que viram suas casas serem invadidas pela água, tornando a celebração um gasto difícil de justificar sob o aspecto humanitário.
Essa possível mudança de rota coloca a gestão pública diante de um dilema comum em períodos de crise: equilibrar o impacto econômico que o turismo junino gera para o comércio local com a responsabilidade fiscal e social de socorrer os munícipes. Bezerra enfatizou que o pensamento do governo está voltado integralmente para as pessoas que perderam bens essenciais. Se a estrutura financeira necessária para mitigar o sofrimento dessas famílias depender da verba destinada aos palcos e atrações musicais, o cancelamento será o caminho natural.
A decisão final ainda depende da evolução meteorológica e da velocidade de reabilitação das áreas mais vulneráveis da cidade. Enquanto os serviços municipais seguem em alerta máximo, o debate sobre a viabilidade das festas permanece em aberto, condicionado à capacidade da prefeitura de devolver a dignidade aos moradores afetados. A postura reafirma que, neste momento, a prioridade absoluta da capital não é a comemoração, mas a segurança de quem nela vive.





