O revés sofrido no Legislativo na última semana impôs ao Palácio do Planalto a necessidade de uma reorganização estratégica rápida. Antes de oficializar o substituto para a cadeira vaga no Supremo Tribunal Federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende resolver o impasse em torno de Jorge Messias. O nome do atual Advogado-Geral da União, rejeitado pelos senadores, deve ser redirecionado para o comando do Ministério da Justiça. A manobra visa preservar o aliado politicamente, mantendo-o no primeiro escalão com a perspectiva de uma nova tentativa de indicação em um eventual segundo mandato.
A agenda internacional serve como o intervalo necessário para a maturação dessa escolha. Lula embarca nesta quarta-feira para os Estados Unidos, onde cumpre agenda oficial com Donald Trump. O retorno, previsto para o final de semana, marcará o início de uma ofensiva diplomática interna. O foco principal é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O petista entende que qualquer novo nome apresentado precisa de uma pavimentação prévia com a cúpula da Casa revisora para evitar que o desgaste da semana passada se repita.
A urgência do cronograma foi reforçada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que sinalizou o desejo do governo em encerrar a vacância no STF ainda neste mês de maio. No entanto, o perfil da próxima escolha indica uma mudança de rumo. Diferente da aposta anterior em um nome de confiança técnica e pessoal direta como Messias, o Planalto agora ventila candidaturas femininas para equilibrar a composição do tribunal e atender a demandas políticas e sociais.
Três nomes aparecem com força nos bastidores da capital federal. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, surge como uma alternativa de peso político e bom trânsito no Congresso. Correndo por fora, mas com forte respaldo acadêmico e jurídico, estão a advogada Carol Proner e a procuradora federal Manuellita Hermes Rosa Oliveira Filha. A decisão final dependerá do termômetro que Lula trará de suas conversas com as lideranças partidárias após o desembarque em Brasília, buscando um consenso que encerre a crise de governabilidade no Judiciário.





