Uma engrenagem financeira que movimentou uma fortuna sob a sombra do tráfico de drogas no Vale do São Francisco foi o alvo de uma ofensiva policial nas primeiras horas desta quinta-feira (16). A Polícia Civil cumpriu 13 mandados de prisão em uma operação que mirou uma organização criminosa Interestadual. O grupo é suspeito de escoar cerca de R$ 110 milhões em transações ilícitas, unindo a produção de maconha no interior de Pernambuco ao refino de drogas sintéticas e cocaína vindas do Sudeste do país.
As investigações, conduzidas ao longo de doze meses, revelaram que o comando dos negócios partia de um único articulador. Ele gerenciava a distribuição dos entorpecentes em Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), cidades vizinhas que funcionavam como o polo consumidor e logístico da quadrilha. Para garantir o abastecimento constante, membros do grupo viajavam periodicamente a São Paulo para coordenar o transporte de carregamentos, enquanto no Sertão pernambucano negociavam a compra de maconha diretamente com produtores locais em larga escala.
A operação desta madrugada cruzou as divisas estaduais e se concentrou no desmantelamento das lideranças e do suporte financeiro do grupo. Em Juazeiro, as buscas resultaram na prisão de um casal no bairro Expedito Nascimento, onde foram apreendidos R$ 28 mil em espécie, além de drogas, munições e um automóvel. No mesmo município, outros dois homens foram detidos, um deles portando uma arma de fogo. Do outro lado da ponte, em Petrolina, os policiais prenderam mais três suspeitos nos bairros Dom Avelar e Cohab Massangano. As ordens judiciais também alcançaram alvos em Salvador, Salgueiro e Serra Talhada, incluindo um detento que já cumpria pena no sistema prisional e teve um novo mandado expedido.
O grande volume de dinheiro movimentado pela organização exigia uma estrutura sofisticada para escapar dos radares do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A polícia identificou um núcleo responsável por pulverizar o faturamento das drogas em dezenas de contas bancárias em nome de intermediários, os chamados “laranjas”. Essa estratégia camuflava a origem dos recursos e permitia o fluxo livre do capital entre janeiro de 2024 e outubro de 2025.
Como resposta imediata ao esquema, o Poder Judiciário determinou o bloqueio de contas bancárias no limite de R$ 110 milhões. A investida de campo também resultou na apreensão de dois carros de luxo avaliados em R$ 300 mil, que passavam a integrar o patrimônio dos suspeitos como mecanismo de lavagem. Com as prisões efetuadas, a polícia foca agora na captura de dois integrantes que conseguiram escapar do cerco policial e continuam foragidos.
Com assessoria





