O relógio marcava 2h30 da madrugada desta segunda-feira (29), quando a Polícia Rodoviária Federal interrompeu uma viagem que flertava com a tragédia no quilômetro 143 da BR-230, em Campina Grande. Um bitrem de nove eixos, que partira de Formosa do Rio Preto, no extremo oeste baiano, carregava uma quantidade de milho que extrapolava qualquer margem de segurança. Ironicamente, o motorista estava quase lá: faltavam apenas 50 quilômetros para descarregar a mercadoria no município paraibano de Itatuba.
A pesagem na balança revelou números alarmantes. Sozinha, a carga de milho somava 82.140 quilos. Ao contabilizar o peso do próprio caminhão, o Peso Bruto Total Combinado chegou a impressionantes 106.782 quilos. Para se ter uma ideia do abuso, a fabricante do veículo estipula em 78 toneladas a Capacidade Máxima de Tração. Ou seja, o motorista puxava um excedente de 28.782 quilos, ignorando as especificações técnicas da própria máquina.
Conduzir um gigante nessas condições cria um cenário de perigo extremo nas estradas. Com quase 29 toneladas de sobrepeso, a eficiência dos freios cai drasticamente e a estabilidade em curvas fica severamente comprometida, tornando o veículo uma ameaça real de acidentes graves. O prejuízo também é público, já que o peso desproporcional esmaga o pavimento asfáltico e força a estrutura de pontes e viadutos além do planejado pelos engenheiros.
A viagem acabou interrompida no posto de fiscalização. O responsável pelo transporte recebeu duas autuações e o veículo permaneceu retido sob custódia da PRF. A viagem só poderá ser retomada quando outra frota de caminhões for acionada para realizar o transbordo, dividindo o excesso de milho para que o bitrem volte a circular dentro da legalidade.





