A Paraíba no comando da próxima revolução tecnológica

Com investimento de R$ 220 milhões, Paraíba vai sediar os dois primeiros computadores quânticos do Brasil e liderar programa nacional para criar as empresas do futuro.

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​O Brasil decidiu fincar sua bandeira na fronteira mais avançada da ciência global. Em uma movimentação que descentraliza o eixo tradicional da tecnologia no país, João Pessoa foi escolhida como o ponto de partida para a implementação do Projeto Residência em Tecnologias Quânticas e para a criação do Centro Internacional de Computação Quântica da Paraíba (CIQUANTA-PB). Juntas, as iniciativas somam R$ 220 milhões em investimentos e pretendem transformar a região em um polo gerador de conhecimento profundo e inovação industrial.

​A estratégia foca em um mercado que hoje define a soberania das grandes potências. Longe de ser apenas um campo de estudos teóricos, o projeto mira o desenvolvimento de “DeepTechs”, empresas que surgem a partir de descobertas científicas complexas. Para que essas ideias saiam dos laboratórios e ganhem o mercado, o programa vai injetar R$ 20 milhões ao longo de três anos na capacitação de 500 profissionais, estudantes e pesquisadores, distribuindo 156 bolsas de estudo em áreas que vão da microeletrônica aos semicondutores.

​O coração técnico dessa estrutura ficará abrigado no CIQUANTA-PB, que contará com R$ 140 milhões em aportes do governo paraibano e R$ 60 milhões do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O grande diferencial do centro será a instalação das duas primeiras máquinas quânticas operacionais em solo brasileiro, equipadas com potências de 20 e 100 qubits. Esses supercomputadores serão capazes de processar dados em velocidades inimagináveis para a computação clássica, abrindo portas para a criação de novos medicamentos, criptografia inviolável e avanços em inteligência artificial.

​Mais do que operar máquinas importadas, o plano brasileiro quer dominar o ciclo de produção. A engenharia do projeto prevê que os laboratórios avancem para o desenvolvimento e a fabricação de chips próprios. Essa autonomia é vista como fundamental em um momento em que o mercado internacional de semicondutores enfrenta gargalos de abastecimento e disputas comerciais acirradas entre as principais economias do planeta.

​O impacto do anúncio também redesenha o investimento público em ciência no país. A escolha da Paraíba reflete um esforço recente de interiorização do desenvolvimento tecnológico. Entre 2023 e 2025, os repasses federais para o estado via MCTI atingiram R$ 513,5 milhões, quase o triplo do que foi investido no período de quatro anos anterior. Além de João Pessoa e Campina Grande, a rede de pesquisa vai interligar talentos em Fortaleza, Salvador, Goiânia e Campinas.

​Para conectar o ecossistema acadêmico ao setor privado, a nova estrutura dará origem a um Hub Nacional de Experimentação Quântica. A proposta é criar um ambiente compartilhado onde empresas de tecnologia e universidades possam testar soluções em conjunto, encurtando o caminho entre a pesquisa básica e o produto final que chega ao cidadão. O plano está alinhado às diretrizes de transformação digital do país, colocando o Nordeste na liderança de um setor que vai desenhar a economia global das próximas décadas.

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