A frieza capturada por lentes de segurança no bairro Planalto Serrano, na Serra (ES), colocou um ponto final à liberdade de Marcelo Campos de Jesus, de 37 anos. O que parecia um ataque isolado contra um homem que dormia em uma calçada revelou-se, após o avanço das investigações da Polícia Civil, o capítulo mais recente de uma trajetória de violência sistêmica. Marcelo é agora apontado como um assassino em série cujos alvos eram, invariavelmente, pessoas em situação de rua.
A última vítima, Vanilson Pereira, de 55 anos, resistiu por oito dias em um leito hospitalar após ser atingido na cabeça por uma placa de concreto retirada de um bueiro. O óbito, confirmado na última terça-feira (5), transformou a tentativa de homicídio em consumação, permitindo que a polícia traçasse paralelos com outros seis crimes ocorridos na Bahia, especialmente na região de Teixeira de Freitas.
O modus operandi descrito pelos delegados aponta para uma escolha deliberada pelo momento de maior fragilidade das vítimas. Marcelo aguardava o silêncio da madrugada e a ausência de testemunhas para golpear o crânio dos alvos com objetos contundentes blocos de concreto, pedras ou pauladas. No caso de Vanilson, o agressor ainda demonstrou um desapego absoluto pela vida humana ao revistar os bolsos da vítima após o ataque, subtraindo apenas R$ 12.
O histórico do investigado remete a novembro de 2025, estendendo-se até abril deste ano. Na Bahia, corpos foram encontrados em pontos de ônibus e áreas de vegetação, todos apresentando o mesmo padrão de agressão craniana. Embora o suspeito alegue uma suposta vingança pessoal para o crime na Serra, a cronologia dos fatos desmente a versão: ele estava em solo baiano no período em que diz ter sido agredido pela vítima capixaba.
Para além das algemas, o caso de Marcelo Campos de Jesus expõe a falha na proteção de uma parcela da sociedade que transita entre a invisibilidade e o perigo iminente. Vanilson, que vivia nas ruas há três décadas após o trauma da perda de um irmão, era um dos muitos rostos que o “exterminador” tentou apagar.
Agora, o sistema judiciário debruça-se sobre o rastro de crimes que cruza fronteiras estaduais, enquanto o nome de Marcelo deixa as delegacias locais para integrar os registros de crimes em série no Brasil.





