O fim da cera: Copa de 2026 impõe relógio rígido para dar ritmo ao futebol

​Mudanças aprovadas pela IFAB punem com reversão de posse e exclusão temporária jogadores que tentarem retardar o reinício das partidas

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​A Copa do Mundo de 2026, a primeira com 48 seleções, será marcada por uma transformação profunda na postura dos atletas dentro de campo. A partir de 11 de junho, a estratégia de cadenciar o jogo para ganhar tempo perderá espaço para um sistema de penalidades imediatas, desenhado pela International Football Association Board (IFAB) para garantir que a bola role por mais minutos. A experiência aplicada no Mundial de Clubes de 2025 provou que a punição técnica é o caminho mais eficaz para combater o antijogo.

​O novo protocolo estabelece uma contagem regressiva rigorosa para reinícios de bola parada. Quando o árbitro identificar um esforço deliberado de retardar a reposição em cobranças de lateral ou tiros de meta, abrirá a contagem de cinco segundos de forma ostensiva. Caso o tempo expire antes da execução, a punição será severa: o lateral mudará de posse e o tiro de meta será convertido em escanteio para o adversário. O rigor se estende às substituições, que agora possuem um limite de dez segundos para serem concretizadas. Se o atleta demorar mais que isso para deixar o gramado, o jogador que entra ficará retido na linha lateral, aguardando uma pausa de um minuto para ingressar na partida.

​A integridade física dos jogadores continua protegida, mas o pedido de atendimento médico em campo terá um custo tático. Com exceção de casos específicos, como choques de cabeça ou intervenções envolvendo goleiros, o atleta que solicitar auxílio deverá aguardar um minuto fora das quatro linhas após o reinício do jogo. A medida visa evitar que lesões de menor gravidade sejam usadas como artifício para paralisar o cronômetro durante momentos de pressão do adversário.

​O VAR também ganha novas atribuições, ampliando sua esfera de influência para evitar erros de arbitragem que afetem diretamente o resultado. O árbitro de vídeo passa a ter autonomia para revisar decisões sobre a aplicação do segundo cartão amarelo e a concessão equivocada de escanteios. No caso específico dos tiros de canto, a intervenção só ocorrerá se a checagem for instantânea, sem comprometer a fluidez do confronto.

​As mudanças entram em vigor globalmente no dia 1º de julho, mas a Copa do Mundo servirá como o grande teste definitivo. A CBF, que enfrenta o desafio de integrar as novas normas em um calendário já em curso, avalia como adequar os regulamentos das competições nacionais a essa nova realidade. Enquanto isso, seleções como o Brasil, que estreia no dia 13 de junho contra o Marrocos, em Nova Jersey, terão de adaptar rapidamente seus estilos de jogo para não serem surpreendidas por um apito cada vez mais impaciente.

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