O cheiro do crime: Como uma quadrilha movimentou R$ 12 milhões roubando perfumarias no Nordeste

​Polícia Civil de Pernambuco desarticula esquema interestadual de furtos de luxo e lavagem de dinheiro que utilizava empresas de fachada e depósitos fracionados para despistar autoridades.

Compartilhe o Post

​O rastro de sofisticação deixado por uma organização criminosa que transformou o furto de perfumes de alto padrão em um negócio milionário começou a ser desfeito. A Polícia Civil de Pernambuco detalhou a Operação Fragrância do Crime, que desarticulou um grupo interestadual responsável por movimentar quase R$ 12 milhões ao longo de dois anos. Ao todo, onze pessoas, oito homens e três mulheres, foram presas em uma ação que ultrapassou as fronteiras do Nordeste.

As investigações, conduzidas pela Delegacia de Polícia de Roubos e Furtos (DPRF), começaram em outubro de 2025, após o arrombamento de uma agência bancária em Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife. A partir desse episódio, os policiais descobriram uma rede que atuava de forma coordenada em Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. A ramificação do grupo era tão vasta que uma das prisões recentes foi efetuada em Itajaí, Santa Catarina.

O sucesso temporário da quadrilha se devia a um planejamento meticuloso, dividido em três frentes de atuação perfeitamente coordenadas. Antes de qualquer invasão, a primeira equipe realizava um mapeamento detalhado dos arredores dos estabelecimentos escolhidos. A estratégia consistia em cortar o fornecimento de energia elétrica e neutralizar os sistemas de segurança, apagando câmeras e silenciando alarmes para garantir que os comparsas pudessem agir sem deixar vestígios imediatos.

Com a segurança desativada, entrava em cena o segundo grupo, especializado no arrombamento físico e na retirada rápida das mercadorias. O alvo preferencial eram redes de perfumaria de grande porte, devido ao alto valor agregado dos produtos e à facilidade de transporte e revenda no mercado informal.

A parte final e mais complexa da operação ficava a cargo do núcleo financeiro, responsável por dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido com os crimes. Segundo o delegado João Paulo de Andrade, titular da DPRF, os suspeitos reinseriam os valores na economia formal por meio de empresas de fachada criadas nos segmentos de cosméticos, perfumes e até de laticínios.

Para despistar os órgãos de controle financeiro e evitar alertas automáticos de transações atípicas, o grupo recorria à prática conhecida como “smurfing”. O método consiste em fracionar grandes quantias em múltiplos depósitos bancários de valores muito baixos, distribuídos em diversas contas.

As ordens judiciais, que incluíram os 11 mandados de prisão, seis de busca e apreensão domiciliar, além do sequestro de bens e bloqueio de ativos financeiros, foram autorizadas pela 19ª Vara Criminal do Recife. A Polícia Civil ressaltou que, até o momento, não existem indícios de que funcionários das agências bancárias ou das lojas invadidas estivessem facilitando as ações do grupo.

Compartilhe o Post

Mais do Nordeste On.