A história de Severino Nascimento da Silva atravessa quase um século de invisibilidade social antes de encontrar o reconhecimento na sala de aula. Órfão de pai e mãe, ele iniciou a trajetória profissional aos seis anos, uma realidade que empurrou os estudos para o campo dos sonhos impossíveis durante décadas. Ao longo de uma vida dedicada ao trabalho pesado, o analfabetismo foi uma sombra persistente, que ele mesmo descreve como uma barreira que o impediu de oferecer aos sete filhos a formação escolar que lhe foi negada.
A oportunidade de subverter esse destino surgiu através do Alfabetiza Piauí, iniciativa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) que integra transporte, suporte alimentar e auxílio financeiro para reduzir a evasão escolar. A política pública atingiu a marca de 50 mil alunos alfabetizados em dois anos, alcançando Severino na fase em que muitos desistiriam de qualquer projeto novo.
Na formatura realizada em Teresina, o aposentado se destacou entre mil estudantes. Longe de ser apenas uma celebração de fim de ciclo, o diploma representa para ele o início de uma nova fase. Com o orgulho de quem finalmente domina a escrita do próprio nome, Severino descreve a experiência na escola como uma fonte de satisfação imediata e reforça o valor do conhecimento como o maior legado que um cidadão pode almejar, independentemente do tempo de vida. Ele já sinaliza o desejo de continuar os estudos, consolidando a ideia de que a sede por aprender permanece intacta, mesmo após noventa e quatro anos de espera.





