A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou o reajuste nas tarifas de oito distribuidoras do país. Com a decisão, consumidores atendidos pela Energisa Mato Grosso do Sul e pela CPFL Paulista enfrentarão um aumento de 12% em suas faturas, enquanto os clientes da CPFL Santa Cruz arcarão com uma alta de 15%. O repasse materializa a preocupação do governo federal, que lida com uma escalada de dois dígitos em um ano de corrida às urnas.
Antes da aprovação, o Executivo tentou conter a medida. A estratégia envolvia a edição de uma Medida Provisória para liberar linhas de crédito às empresas, com o objetivo de postergar o aumento. A proposta perdeu força após alertas do mercado. A avaliação técnica demonstrou que a operação financeira funcionaria como uma rolagem de dívida, transferindo os custos para os próximos anos e adicionando juros à cobrança final dos consumidores.
O recuo expõe a raiz da alta tarifária no Brasil. O valor cobrado das famílias e das indústrias ultrapassa os custos reais de geração e de distribuição de energia. Hoje, os encargos de políticas públicas e os subsídios respondem por 15% da fatura. A carga tributária recolhe outros 20%. Na prática, mais de um terço do documento de arrecadação serve para bancar fundos setoriais e garantir a receita do Estado.
Modificar essa composição depende de aprovação do Congresso Nacional, ambiente onde a revisão de subsídios enfrenta a resistência imediata dos setores que se beneficiam das regras vigentes. Alterar a estrutura dos encargos requer intensa negociação política, um desafio complexo durante o calendário eleitoral. Pressionado pela opinião pública e impossibilitado de adotar mecanismos temporários de contenção, o governo assiste à elevação da tarifa sem apresentar um plano de resolução em curto prazo.





