O cenário financeiro dentro dos lares brasileiros atingiu um teto inédito. De acordo com o Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central, publicado nesta segunda-feira (27), o endividamento das famílias escalou para 49,9%, o patamar mais elevado desde o início da série histórica da instituição. O avanço reflete uma pressão crescente sobre o orçamento doméstico, onde a capacidade de consumo cede espaço para a manutenção de passivos acumulados.
O sufocamento da renda mensal acompanha essa tendência. Atualmente, 29,7% de tudo o que as pessoas físicas recebem já nasce comprometido com o sistema bancário, um incremento de 1,9 ponto percentual no acumulado de doze meses. O detalhamento do Banco Central expõe uma realidade ainda mais severa sobre o custo do crédito: enquanto 19% dos rendimentos são destinados à amortização do valor principal das dívidas, uma fatia expressiva de 10,63% é drenada exclusivamente pelo pagamento de juros, sem reduzir o montante original devido.
Diante desse diagnóstico de paralisia econômica familiar, o governo federal articula uma ofensiva para tentar reverter a trajetória de inadimplência. A estratégia, liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela equipe econômica, foca na estruturação de uma segunda etapa do programa Desenrola. A proposta em discussão busca permitir que os trabalhadores utilizem recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como alavanca ou garantia para a quitação de débitos, tentando limpar o histórico de crédito de milhões de brasileiros.
A viabilidade dessa nova fase depende de um ajuste fino entre a proteção do patrimônio do trabalhador e a necessidade imediata de injetar liquidez no mercado interno. Ao mirar no uso do FGTS, o governo busca não apenas aliviar o peso dos juros sobre a classe média e as camadas de baixa renda, mas também reaquecer a economia através da recuperação do poder de compra, hoje estrangulado por boletos que se renovam a taxas recordes.





