O Sistema Único de Saúde vive uma guinada no combate ao tabagismo. Em 2025, o número de cidadãos que buscaram suporte na rede pública para abandonar o cigarro saltou para 2,5 milhões, quase o dobro do registrado três anos antes. A marca de 1,2 milhão de atendimentos em 2022 ficou para trás graças a uma estratégia de descentralização: a força-tarefa agora acontece dentro das Unidades Básicas de Saúde, onde o acolhimento ganhou capilaridade e volume.
A oferta de grupos de apoio, fundamentais para a mudança de comportamento, acompanhou esse movimento. O volume de atividades coletivas, entre rodas de conversa e intervenções educativas conduzidas por profissionais de saúde, saltou de 61,9 mil para 157,1 mil. Consequentemente, a adesão subiu de 1 milhão para 2,1 milhões de pacientes, refletindo uma estrutura mais preparada para oferecer acompanhamento contínuo e acesso facilitado aos insumos de combate à dependência.
O suporte oferecido pelo Programa Nacional de Controle do Tabagismo combina suporte psicológico com intervenções farmacológicas. Ao longo de um ciclo de três meses, pacientes recebem bupropiona e terapias de reposição de nicotina, como adesivos e gomas, sem custos. Esse acompanhamento é sustentado por uma rede que soma hoje mais de 104,3 mil equipes na atenção primária, reforçadas por profissionais especializados que atuam diretamente nos territórios.
Entretanto, o sucesso do SUS no tratamento tradicional encontra um obstáculo moderno: a ascensão dos dispositivos eletrônicos para fumar. Dados do Vigitel indicam que o uso desses aparelhos entre jovens de 18 a 24 anos alcançou 10,1% em 2024, o patamar mais alto da série histórica. Enquanto o SUS aprimora a assistência para veteranos do tabagismo, o surgimento de novos produtos com nicotina sintética desenha um cenário complexo, exigindo que as políticas de saúde pública sejam tão ágeis quanto a oferta dessas novas formas de consumo que seduzem as faixas etárias mais novas.





