Asa de escoamento falha e Natal amanhece sob as águas de um sistema de drenagem em xeque

​Interrupção em bombas e lagoas no limite expõem a vulnerabilidade da infraestrutura urbana da capital diante do volume de precipitações na Região Metropolitana.

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​Quando as nuvens deram trégua na manhã desta quarta-feira, a promessa de alívio para os moradores de Natal não se cumpriu nas ruas. O sol voltou a dar as caras na capital potiguar, mas revelou um cenário que já se tornou rotina amarga para a população: vias transformadas em rios urbanos e pontos de estrangulamento de trânsito que persistem horas após o fim das precipitações.

O acumulado das últimas 24 horas, registrado em 28,6 milímetros pelo monitoramento da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte, pode parecer modesto à primeira vista. O problema reside no rastro deixado pelo temporal do dia anterior, quando a média pluviométrica na cidade bateu na casa dos 68 milímetros, com bairros isolados ultrapassando a barreira dos 90 milímetros. O solo saturado e a incapacidade de vazão imediata do sistema de escoamento fizeram o trabalho de retenção da água.

 

No cruzamento das avenidas Ayrton Senna e das Alagoas, ponto crítico na Zona Sul, a lagoa de captação transbordou e interrompeu o fluxo de veículos. A causa imediata do problema envolveu uma falha operacional: a interrupção no fornecimento de energia elétrica desativou temporariamente as bombas de drenagem do reservatório. A Secretaria Municipal de Infraestrutura precisou recorrer à instalação emergencial de um gerador para restabelecer a sucção e tentar esvaziar a pista. Enquanto a água baixava lentamente, motoristas ainda arriscavam a travessia com água na altura dos pneus.

O cenário se repetiu no bairro Planalto, na Zona Oeste, onde o encontro das ruas Antônio Freire de Lemos e Marcos Augusto virou uma extensão de lama e alagamento, forçando condutores a manobras arriscadas. O impacto das chuvas não se limitou ao asfalto. Na orla de Ponta Negra, cartão-postal da cidade, a força da enxurrada voltou a lavar a faixa de areia, abrindo valas e escancarando a precariedade do escoamento pluvial que deságua à beira-mar.

Na Região Metropolitana, a inundação transbordou os limites da capital. Bairros vizinhos registraram pontos de isolamento total, com a água invadindo residências e travando os acessos principais. O episódio reforça o gargalo recorrente na gestão das águas urbanas da Grande Natal: basta uma sequência de tempestades mais intensas para que a cidade pare, dependendo de respostas paliativas enquanto a população calcula os prejuízos.

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