O que começou com a circulação de notas falsas revelou uma engrenagem criminosa muito mais abrangente e estruturada. Nesta quarta-feira, a Polícia Federal deflagrou a Operação No Fake para cumprir 24 ordens judiciais, entre 14 mandados de busca e apreensão e 10 prisões preventivas, contra uma rede acusada de fabricar e distribuir moeda pirata em escala nacional.
A base de operações do grupo ficava no Nordeste, espalhada por cidades da Paraíba (como João Pessoa e Mogeiro) e de Pernambuco (incluindo Caruaru, Paulista, Abreu e Lima e Igarassu), alcançando também o município de Lages, em Santa Catarina.
Nos bastidores, os investigados operavam um laboratório clandestino completo. O processo cobria todas as etapas: da compra de papel, tintas e insumos químicos até o acabamento final das cédulas. Para fazer o produto girar, a quadrilha transformou redes sociais e aplicativos de mensagens em balcões virtuais de vendas, entregando as encomendas em todo o Brasil por meio dos serviços postais de envio.
O fluxo de caixa da organização chamou a atenção dos investigadores pela escala, mas o dinheiro cenográfico era apenas a porta de entrada. À medida que os agentes aprofundaram as checagens, o grupo se mostrou um ecossistema diversificado do crime. Além da falsificação monetária, a rede mantinha braços na comercialização de veículos roubados e clonados, no tráfico de entorpecentes, no comércio ilegal de armas de fogo e na lavagem dos recursos obtidos com as atividades paralelas.
Com o cumprimento das ordens judiciais, a Polícia Federal busca estancar a produção e tirar o grupo de circulação. Os materiais apreendidos nos endereços vistoriados agora passam por perícia, enquanto os policiais trabalham para identificar novos integrantes e mapear a extensão total dos valores movimentados pelo esquema.





