A exatos cinco meses das eleições presidenciais, o Palácio do Planalto move uma peça estratégica para aliviar o bolso das famílias brasileiras e, por tabela, tentar elevar os índices de aprovação junto à classe média baixa. O lançamento do Novo Desenrola Brasil, batizado de Desenrola 2, surge como uma resposta direta ao endividamento recorde que trava o consumo no país. Com descontos que podem chegar a 90%, o programa mira brasileiros que recebem até cinco salários-mínimos, além de microempreendedores individuais (MEIs) e microempresas.
A grande novidade desta etapa é a permissão para que o trabalhador utilize até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para liquidar débitos. A medida injeta liquidez imediata no sistema financeiro, permitindo a regularização de pendências em cartões de crédito, cheque especial e até no financiamento estudantil (Fies). Ao incluir o FGTS na equação, o governo tenta contornar a falta de dinheiro vivo da população, transformando uma poupança de longo prazo em uma solução urgente para o nome sujo.
Entretanto, o programa não se limita apenas a limpar o nome do consumidor; ele impõe uma barreira de comportamento. Uma cláusula polêmica prevê o bloqueio do CPF dos beneficiários em sites de apostas online por um período de 12 meses. A medida, que conta com o apoio velado de setores do varejo e de bancos, preocupados com o desvio da renda familiar para o jogo, gerou forte reação das plataformas de apostas. Representantes do setor argumentam que a proibição pode empurrar o usuário para o mercado clandestino, onde não há fiscalização nem proteção ao apostador.
Em defesa da proposta, a equipe econômica sustenta que os ajustes feitos nesta segunda edição corrigem gargalos operacionais da primeira versão. O argumento oficial é que o Estado atua como um mediador necessário para equilibrar a balança entre o poder das instituições financeiras e o cidadão comum. Embora o Ministério da Fazenda negue que a situação das contas públicas influencie diretamente a política de juros, creditando a pressão inflacionária a tensões geopolíticas no Oriente Médio, o sucesso do Desenrola 2 é lido por analistas como um termômetro essencial para o desempenho governista nas urnas em outubro. Se o programa conseguir converter a redução do endividamento em otimismo econômico, o governo poderá chegar ao período eleitoral com um discurso de recuperação de renda mais sólido.





