Pragmatismo em Washington: Lula e Trump tentam blindar comércio em reunião na Casa Branca

​Encontro nos Estados Unidos busca desarmar ameaças de tarifas e destravar investimentos em tecnologia e minerais após meses de distanciamento diplomático.

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​O Palácio do Planalto e a Casa Branca consolidam nesta semana um movimento de aproximação que parecia improvável meses atrás. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca em Washington para uma reunião com Donald Trump, em uma tentativa de converter a hostilidade ideológica em um pacto de sobrevivência econômica. A agenda, costurada por telefone ainda em janeiro, ocorre em um momento em que a indústria brasileira teme o retorno de barreiras alfandegárias severas.

A preocupação central da comitiva brasileira gira em torno da Seção 301 da Lei de Comércio americana. Sob essa ferramenta, Washington avalia sobretaxas que podem atingir exportações estratégicas do Brasil, de aeronaves a componentes automotivos. Geraldo Alckmin, à frente do Ministério do Desenvolvimento, tem reforçado que a relação comercial com os brasileiros não é a culpada pelo déficit comercial dos EUA, mas sim uma fonte de produtos de alto valor agregado e máquinas que alimentam as cadeias produtivas de ambos os países.

Para os americanos, o interesse recai sobre a segurança de suprimentos. Washington busca garantir prioridade no acesso aos minerais estratégicos brasileiros, essenciais para a transição tecnológica e para o setor de defesa. No entanto, o entendimento esbarra em pontos de atrito: o governo Trump pressiona pela classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas estrangeiras, uma medida que o governo brasileiro observa com reservas devido às implicações de soberania e jurisdição.

O encontro também serve como uma pausa nas críticas recentes de Lula à condução da política externa americana. O gesto de solidariedade após o atentado sofrido por Trump facilitou o caminho para esta visita, que ocorre às vésperas de uma viagem do republicano à China. No vácuo da ausência de Marco Rubio, que cumpre compromissos na Europa, os dois presidentes terão a oportunidade de decidir se a relação bilateral será definida pelo protecionismo ou por uma cooperação de interesses mútuos.

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